Sérgio Botelho – A mais elevada participação da Paraíba no poder da República, instalada em 15 de novembro de 1889, somente ocorreria com a posse do umbuzeirense Epitácio Pessoa na função de Presidente, em 1919, permanecendo no cargo até o final do mandato, em 1922.
Contudo, apesar da pouca expressão da Paraíba, enquanto estado, na luta republicana, um mamanguapense ou espírito-santense (explicarei mais adiante), de nome Aristides Lobo, marcou presença no Gabinete Deodoro da Fonseca, na largada da República, em 1889, na condição de Ministro do Interior.
Formado pela Faculdade de Direito do Recife, onde, desde os tempos de funcionamento em Olinda, estudavam os filhos da elite paraibana, e iniciado na política a partir do Estado de Alagoas, elegendo-se deputado federal pelo Partido Liberal, Aristides da Silveira Lobo acabou sendo o primeiro paraibano na alta esfera do poder republicano.
Ele nasceu no Engenho Tabocas, nas margens do rio Paraíba, então pertencente ao município de Mamanguape. Depois, passou a território de Cruz do Espírito Santo, quando alcançada a emancipação respectiva. Dessa forma, ficou estabelecida a disputa pela sua naturalidade.
Ao encontrar estudo e ofício superior em outras plagas, exercendo a magistratura e se envolvendo com o jornalismo e a política, com o tempo, o liberalismo que sustentava na consciência virou convencimento republicano. Era parte de uma geração que escrevia, discursava e conspirava contra a Monarquia.
Projetou-se na condição de redator do jornal A República desde o primeiro número, de 3 de dezembro de 1870, edição que trouxe a público o Manifesto Republicano. O periódico foi um centro de propaganda pela mudança de regime. Lobo também colaborou em A Província de São Paulo e no Diário Popular.
Dessa forma, bastante conhecido por suas posições, foi então chamado para o Ministério do Interior, no dia seguinte aos acontecimentos, posição que exigia organizar serviços, regular a vida civil e ajudar a dar forma a um Estado que passava por mudanças profundas.
Do gabinete saíram medidas que marcaram a passagem do Império para a República. O casamento civil ganhou normas, a separação entre Igreja e Estado saiu do papel, a estatística pública retomou fôlego para contar a população. Aristides participou como dirigente e articulador de uma área que precisava reunir leis, repartições e rotinas.
Três dias depois de 15 de novembro, ele escreveu no jornal a frase que ficou como atalho para a memória da República nascente: “O povo assistiu àquilo bestializado”, síntese do espanto coletivo diante de um ato militar conduzido sem ensaio prévio. O texto não desdenhava do povo. Registrava perplexidade.
No fim, a presença de Aristides no governo provisório diz menos sobre a força do republicanismo na Paraíba e mais sobre os caminhos que ele próprio percorreu. Armado com o sotaque do engenho, o estudo do Recife, a experiência dos jornais e a prática política que havia construído fora do estado, chegou ao poder republicano.
Aristides Lobo faleceu em Barbacena, Minas Gerais, em 27 de março de 1896. À Paraíba, ele voltou em forma de nome de praça na capital e de rua em Campina Grande. No entanto, afora a Paraíba, também denomina logradouros em cidades de mais 11 estados brasileiros, do Norte ao Sul do país.
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