
Sua morte foi o triste epílogo de uma luta de mais de um ano por médicos e pela esposa, a cantora e compositora paraibana Glorinha Gadelha. Seu corpo foi velado no Parque das Acácias e sepultado ali mesmo, numa despedida que reuniu familiares, amigos, músicos e milhares de pessoas de várias gerações.
Ele havia nascido em 26 de maio de 1930, em Itabaiana, numa família de pequenos agricultores e sapateiros. Albino, não podia trabalhar muito tempo debaixo de sol, o que abriu espaço para outra rotina. Mais tarde misturaria choro, frevo, baião, forró, jazz, blues e música de concerto com naturalidade.
Em 2006, o ano de sua morte, há três morando em João Pessoa e trabalhando muito, lançou o projeto Sivuca Sinfônico, pela gravadora Biscoito Fino, ao lado da Orquestra Sinfônica do Recife, registrando sete arranjos orquestrais próprios e abrindo mais uma frente para a sanfona em ambiente erudito.
Poucos meses antes de falecer recebeu do Ministério da Cultura a Ordem do Mérito Cultural, reconhecimento oficial de uma importância que o meio musical já lhe atribuía havia décadas. “Eu me considero um músico de jazz. Mas jazz à nossa maneira. Sou um músico urbano”, resumiu-se certa vez em entrevista ao O Globo.
A Paraíba se reconhece em Sivuca como filho ilustre e o Brasil o reverencia. No exterior, seu nome continua a circular em reedições, pesquisas e discos de parceiros que guardam o arranjo de Pata Pata, os encontros com o jazz, a imagem do sanfoneiro albino de cabelo em juba que fez da sanfona um idioma capaz de conversar com praticamente qualquer tradição musical do planeta.
Sivuca é uma glória paraibana e brasileira que deve ser lembrada sempre.
