Sérgio Botelho – Atualmente, é possível assistir ao histórico documentário Os Romeiros da Guia, no YouTube, dirigido pelos saudosos Wladimir Carvalho e João Ramiro Neto, filmado em 1962, e que se constitui como um dos marcos do cinema paraibano e nacional.
O curta, de pouco mais de 15 minutos, conta a história dos romeiros que partiam anualmente, em suas jangadas, da Praia de Ponta de Matos, em Cabedelo, para penitência e ato de fé na Igreja de Nossa Senhora da Guia, em Lucena.
A romaria e o filme formam um par precioso para a história cultural paraibana. O documentário congelou no tempo a travessia por mar e os rituais populares do começo dos anos 60.
Ainda viva, a manifestação popular manteve o sentido de caminhada, reorganizou o percurso por terra e cresceu em escala, a partir de 1988, no arcebispado de Dom José Maria Pires, sem perder a marca de fé e de pertencimento que a fez nascer.
Pois bem, hoje é dia de Romaria da Guia, em Lucena, Litoral Norte da Paraíba. Associado ao feriado de Nossa Senhora da Aparecida, o ato reúne milhares de fiéis na madrugada deste 12 de outubro.
O percurso atual começa às quatro da manhã, no centro de Lucena, diante da Matriz do Sagrado Coração de Jesus Menino. A caminhada segue por pouco mais de dez quilômetros até o Santuário da Guia.
Neste ano de 2025, a romaria encontrará na igreja um cenário diferente e preocupante. Em agosto recente houve um deslizamento na encosta lateral do templo. Órgãos de patrimônio e defesa civil instalaram lonas de vinil e liberaram a área para a celebração.
O santuário tem longa história. Os carmelitas instalaram ali uma capela em 1591. A igreja atual começou a ser erguida por volta de 1730. Tem fachada, portais e altar-mor talhados em pedra calcária, e adornos com apelos tropicais, uma bela singularidade do barroco brasileiro.
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