Segundo dizia a matéria, tratava-se de navio mercante (construído em 1917 na Itália com o nome de Caprera), da Lloyd Nacional, que fazia sua primeira viagem à América do Norte levando gêneros de primeira necessidade. Pelo seu nome, a empresa de navegação homenageava o pau-brasil, na língua tupi, árvore que foi um dos primeiros recursos naturais explorado pelos europeus no território brasileiro e forte símbolo cultural do país.
No momento do ataque, o Arabutan (ou pau-brasil, como já expliquei) voltava carregado com mais de 7 mil toneladas de carvão. Na época, corria cada vez mais sangrenta a Segunda Guerra Mundial, e os Estados Unidos já estavam oficialmente metidos nela, contra o Eixo (Alemanha, Japão e Itália), desde o ataque japonês à base estadunidense de Pearl Harbor, em dezembro de 1941, no Havai.
O Brasil ainda mantinha posição oficial de neutralidade com relação à guerra, após um namorico sem futuro entre a ditadura getulista e o regime nazista. (No entanto, à altura do ataque ao Arabutan, o governo Getúlio já estava de relações rompidas com os três países do Eixo e auxiliando fortemente os Estados Unidos). Mas a declaração de guerra contra Alemanha, Itália e Japão, pelo Brasil, somente viria a acontecer em agosto de 1942, cerca de quatro meses após o afundamento do Arabutan, e depois de muitas passeatas pelo Brasil afora.
Em meio a esse clima de comoção, os nomes das embarcações afundadas pelo Eixo, passaram a denominar ruas e praças e localidades pelo país afora. (Hoje é possível encontrar logradouros de nome Arabutan, e até condomínios Arabutan, em diversas cidades brasileiras).
Em João Pessoa não foi diferente, e tão logo começou o processo de urbanização da praia de Tambaú, que compreendia a área litorânea da ponta do Cabo Branco ao Bessa, o navio brasileiro afundado em 1942 foi homenageado. Por preguiça na pesquisa ou por interesse de dar vida a um inexistente personagem indígena, os vereadores decidiram personificar o Arabutan.
Assim, o navio Arabutan virou Índio Arabutan. Heróis indígenas paraibanos, das estirpes de Poti e Tabira é que não faltavam, a servirem de homenageados na urbe pessoense, já que antes contemplados Piragibe e o lendário Tambiá.
Então, o erro permaneceu até hoje com relação a importante e chique avenida do Cabo Branco, que liga a principal (a Cabo Branco), primeira da orla, à rua da barreira, a Paulino Pinto, oficializada como rua Índio Arabutan.
Curioso é que, na década de 1980, com o Loteamento Clerot, no Alto do Mateus, também em João Pessoa, o tal “Índio” Arabutan, que nunca existiu, passou a nomear uma rua local. Dobraram a aposta no erro.
(A foto é do navio Arabutan, amplamente divulgada na época)

