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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A poesia popular, Antônio Ugolino Nunes da Costa, Leandro Gomes de Barros e a Paraíba

Sérgio Botelho – Com lugar de destaque na literatura oral brasileira, a poesia popular, no formato repente – onde os poetas se manifestam por meio de versos improvisados -, é um fenômeno cultural nordestino com origem cravada no Século XVIII. Já no Século XIX, à oralidade se juntou o cordel, assumindo o seu formato escrito. A Paraíba participa desse processo no campo do protagonismo. Primeiro, porque foi em Teixeira onde aconteceram as primeiras cantorias, pelo que descrevem historiadores do gênero, a exemplo de Orlando Tejo. Nesse particular, uma das principais responsáveis pelo sucesso popular e propagação do novo formato poético foi a família Nunes da Costa, principalmente Agostinho Nunes da Costa, neto de um cristão-novo chamado João Nunes da Costa, portanto, de origem judia, que, vindo de Portugal, chegou ao Brasil fugindo da perseguição católica executada pelo Tribunal do Santo Ofício, e se instalou em Pernambuco. Agostinho já faz parte de uma nova fuga, do mesmo Santo Ofício, dessa vez, do estado vizinho para a Paraíba, onde se instalou de mala, cuia e genialidade poética. Agostinho, e seus três filhos Antônio Ugolino Nunes da Costa (principalmente), Nicodemos Nunes da Costa e Nicandro Nunes da Costa, foram, ao lado do patoense Silvino do Pirauá, do teixerense Germano da Lagoa e de Romano da Mãe d’Água, expoentes da poesia popular no Século XIX. Antônio Ugolino Nunes da Costa terminou casando e se estabelecendo definitivamente no Sabugi (onde cravou o apelido de Ugolino do Sabugi), na atual região de Várzea, originando uma numerosa família, que terminou grafada como Ugulino, pelas décadas afora. (Deixando de lado a modéstia, segundo árvore genealógica que acessei, se trata do meu tataravô). Enfim, a Paraíba, além desse protagonismo na história do repente, produziu o poeta Leandro Gomes de Barros, nascido em Pombal, tido como o primeiro que transformou a poesia popular em textos publicados, com a utilização de gráficas. Ele é considerado pelo insuspeito Carlos Drummond de Andrade como o verdadeiro Príncipe dos Poetas Brasileiros.

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