Sérgio Botelho – Falecido antes do Século XX nascer, em 1892, o Barão do Abiahy, sobre o qual escrevemos na crônica desta sexta-feira, 17, teve em sua filha, Olivina Olívia Carneiro da Cunha, a principal guardiã de sua memória.
Rapidamente, é o seguinte: o barão casou duas vezes, com duas irmãs (lógico que, a segunda, depois de viúvo!). Da primeira, Adelina Augusta Bezerra Cavalcanti, ele enviuvou em 1878; com a segunda, Leonarda Merondolina Bezerra Cavalcanti, casou na sequência da morte da primeira mulher.
Entre as filhas do segundo casamento existiu Olivina Olívia Carneiro da Cunha, a mais denodada guardiã de sua memória, nascida em 1886.
Com afinco pela leitura e pela educação, desde muito cedo, Olivina Olívia entrou no Século XX (1904) obtendo a formatura de professora pela Escola Normal, justamente criada ao tempo do governo do pai (1873-1876), na General Osório. No decorrer de sua existência, a mestra paraibana foi uma das mulheres protagonistas da primeira metade do século em que se fez notável (viveu até 1977).
Nesse sentido, não somente se destacou na docência, com habilidade para uma série de disciplinas, como ainda na condição de poeta e cronista com regular presença nas páginas de A União e de revistas como a Era Nova.
No campo da defesa da mulher ela também foi relevante, argumentando em favor da igualdade de atributos profissionais e intelectuais entre homens e mulheres, priorizando a necessidade da educação feminina.
Sob a liderança nacional da icônica Bertha Lutz, Olivina Olívia, Analice Caldas, Juanita Machado, Albertina Correia Lima e Eudésia Vieira, entre outras, foram nomes reunidos na Associação Paraibana para o Progresso Feminino, a partir dos anos 1930.
Olivina não foi a maior nem a mais intelectual, mas tão igual e corajosa quanto essas outras que lhe fizeram companhia, numa luta, ainda hoje, de grandes dificuldades. Imagine naquela época!
Atualmente, Olivina Olívia Carneiro da Cunha é nome de importante escola pública, no Centro. Agora, acho que a Paraíba sempre fica a dever mais celebrações a essas figuras pioneiras da nossa história.
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