PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O poeta Otacílio Batista

Otacílio Batista, foto originalmente em preto e branco, colorida por IA

Sérgio Botelho – Quando chegou para viver o resto de sua vida em João Pessoa, na década de 1970, o poeta Otacílio Batista, que se vivo estivesse, completaria 102 anos, neste 26 de setembro, já trazia na bagagem uma história riquíssima no reino da poesia popular.

Seu nascimento, assim como é o caso de outro poeta popular paraibaníssimo chamado Oliveira de Panelas, aconteceu em Pernambuco, em 26 de setembro de 1923. Em João Pessoa, Otacílio virou paraibano, mesmo, de bater cartão no Ponto de Cem Réis.

Otacílio Batista, ou Otacílio Guedes Patriota, nasceu na região de Umburanas, então ligada a São José do Egito e hoje Itapetim, no Pajeú. Foi o mais novo dos “irmãos Batista”, ao lado de Lourival (Louro do Pajeú) e Dimas. Morreu em João Pessoa, em 5 de agosto de 2003, dia do aniversário da cidade.

Quando chegou no ponto mais oriental das Américas, vinha do Ceará, com marcante passagem por Tabuleiro do Norte, onde até chegou a exercer mandato de vereador. Uma passagem posterior por Fortaleza e, então, a Paraíba e sua capital, onde fez muita poesia, cantoria, escreveu livros e foi feliz.

Sua contribuição à cultura nacional mais popularizada foi, sem dúvida, Mulher Nova Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer sem Sentir Dor, que compôs em parceria com o cantor e compositor paraibano, Zé Ramalho, que acabou indo parar em um seriado da Globo, de muito sucesso.

Gravou discos de cantoria e parcerias marcantes. Entre eles, segundo o Dicionário Cravo Albin, da Música Popular Brasileira, “Gigantes do improviso” (com Lourival Batista), “Verso, viola, verso” (com Dimas Batista e Lourival) e “Monstro sagrado do improviso” (com Pedro Bandeira). Publicou livros e organizou, com Francisco Linhares, a Antologia Ilustrada dos Cantadores.

Há dois anos o jornalista e escritor, Sandino Patriota (neto de Otacílio) lançou o livro “Otacílio Batista: uma história do repente brasileiro”, sobre a biografia do avô, obra bastante útil para quem deseja uma visão de conjunto do repente e de seus códigos, com ênfase nos vínculos entre criação poética e história do Nordeste.


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