O Cruzeiro começou a circular em 10 de novembro de 1928

A primeira revista nacional com direito a amplas ilustrações foi O Cruzeiro, criada em 1928. Por quase 50 anos, a revista fez figura na comunicação impressa do país

A primeira revista nacional com direito a amplas ilustrações foi O Cruzeiro, criada em 1928. Assim, por quase 50 anos, a revista fez figura na comunicação impressa do país, sob o comando dos Diários Associados.

Bem que antes houve iniciativas no campo das revistas, no Brasil. Contudo, todas elas eram compostas à base de textos, apenas. Dessa maneira,imitavam revistas europeias da época, ou anteriores.

O Cruzeiro

As datas da O Cruzeiro, para a história, são 10 de novembro de 1928, fundação, e julho de 1975, não mais impressa. Enquanto circulou, fez uma mistura grandiloquente entre texto e fotografia, dessa forma, elevando o gênero fotojornalismo, no Brasil.

Com efeito, foi na época da revista que duplas de repórteres e fotógrafos se notabilizaram na cobertura dos fatos. Com centenas de matérias publicadas na O Cruzeiro, David Nasser foi seu repórter mais destacado.

Nesse particular, acabou sendo objeto de livro escrito por outro jornalista, Luiz Maklouf Carvalho. Na obra, o biógrafo destaca as aventuras jornalísticas da dupla Nasser-Jean Manzón. Este último, repórter fotográfico francês.

Acreditem: numa das espetaculares reportagens dos dois, chegaram a forjar a morte de Manzón. Isto é: Nasser não era daqueles que davam muita importância à veracidade absoluta dos fatos. De acordo com o que revelava no trabalho, a reportagem havia de ser magnífica, de qualquer jeito.

Em 1954, no suicídio de Getúlio Vargas, a revista circulou com uma tiragem de 720.00 exemplares. Inegavelmente, era O Cruzeiro o carro chefe dos Diários Associados do paraibano Assis Chateaubriand.https://revistatrip.uol.com.br/trip/o-amigo-da-onca-original

Amigo da onça

Diz a piada que, em meio a uma caçada, no descanso, um caçador perguntou ao amigo: “caso você estivesse só e viesse uma onça em sua direção, o que você faria?” “Ora, atirava na onça”, respondeu o outro. E o papo seguiu:

P: “Mas, se você estivesse sem arma?” R: “Matava ela com meu facão”. P: “Bom, mas se você não tivesse facão?”. R: “Pegava um pedaço de pau”. P: “E se não tivesse nenhum pedaço de pau?”. R: “Subia na árvore”. P: “Mas, se não tivesse árvore?”. Aí, o outro reclamou: “afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?”.

De conformidade com o espírito dessa piada é que surgiu uma das charges mais famosas da história do jornalismo brasileiro, na O Cruzeiro: O Amigo da Onça. Criada por Péricles de Andrade Maranhão, um pernambucano, o personagem da charge, com toda a certeza, destacou-se na revista entre 1943 e 1972.

O Amigo da Onça vivia colocando amigos em cenário difícil. Ou criticando situações diversas. Ou, ainda, ridicularizando adversidades. Enfim, uma figuraça nas páginas da O Cruzeiro que ajudava, e muito, a vender a revista.

Péricles, no entanto, faleceu em 31 de dezembro de 1961, deixando uma carta para “a quem interessar possa” e a sua mãe. Não suportou a solidão de mais uma passagem do ano. O instrumento do suicídio: gás de cozinha. E, na porta, uma última gozação: “não risquem fósforos”.

Até o fim

O Amigo da Onça, no entanto, continuou até 1972. A revista O Cruzeiro não sobreviveu aos apertos da ditadura, e faleceu em 1975. Já, então, pontificavam novas experiências, mais ou menos famosas como O Cruzeiro. Nunca, de igual importância histórica.

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