PaCIÊNCIA! Por enquanto, não desmanchem o Carnaval

As festas de fim de ano, já não têm jeito; mas, o Carnaval, daqui a quase 3 meses, por equanto, tenham paCIÊNCIA!

Sérgio Botêlho – As festas de fim de ano, já não têm jeito; mas, o Carnaval, daqui a quase 3 meses, por equanto, tenham paCIÊNCIA!

Vai se reproduzindo quase à unanimidade, pelos municípios brasileiros, o convencimento de que é preciso evitar a realização das festas de fim de ano, em homenagem à nova cepa da Covid-19 que nos chega das bandas da África do Sul, já detectada no Brasil e em várias partes do mundo, passando uma horrível sensação de déjà vu.

Boa notícia é que, a dados deste domingo, 05, já temos mais de 64% da população do Brasil totalmente imunizada contra o coronavírus, fruto de um movimento nacional que inclui a ciência e a esmagadora maioria dos cientistas, os governadores, os prefeitos, o SUS e, principalmente, o povo brasileiro, revelando uma consciência impressionante, a despeito das pregações oficiais contrárias. Contudo, os números positivos da vacinação ainda não são suficientes para nos deixar tranquilos rumo às aglomerações natalinas.

Porém, o mesmo induzimento não acontece com relação ao Carnaval, a mais notável das festas autenticamente brasileiras, marcado para daqui a quase 3 meses (final de fevereiro e início de março). Por sinal, escolas de samba e blocos, com destaque para Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília – mas ainda em várias partes do país – seguem organizando-se para os chamados festejos de Momo. Se acontecerem, não vão pegar ninguém de surpresa.

O que anima o povo para o Carnaval é justamente esse avanço do processo de imunização no país e os primeiros sinais emitidos pelos infectados com a nova cepa sul-africana, apelidada de Ômicron, que nos passam a percepção de que, até agora, a mutação do vírus seria menos perigosa do que a matriz e outras variantes, que já assassinaram milhões de pessoas no mundo inteiro.

Não que as festas de fim de ano sejam desprovidas de importância, tanto para as sensações espirituais quanto para a economia. O Natal e o Ano Novo carregam, em seu conjunto, expectativas de novos tempos – ao gosto de todos, sempre positivas -, odores de paz e de concórdia, além de muitas vendas no comércio, e propagandas mil nos meios de comunicação. O dinheiro circula feito raio nesses tempos em meio a uma bem-aventurança generalizada.

No entanto, o Carnaval é diferente. Ao menos que sejam os quatro dias oficiais (lembrando que a folia momesca já se espalhou por semanas antes da data convencional). É no Carnaval que o povo brasileiro mas se mostra autêntico e na sua própria versão. Não existe por aqui, abaixo da Linha do Equador, nada, em tempo, e em nenhum lugar do mundo, Carnaval semelhante ao que ocorre no Brasil.

E não se trata apenas de uma simples – embora, já admirável – catarse coletiva, capaz de nos despregar dos reais problemas do país. Diferentemente disso, o Carnaval tem força para transformar esses problemas em manifestações críticas de profunda capacidade persuasiva, porque envelopadas em um humor mais ferino do que uma espada de cortar cabeças.

Impossível não levar em conta, também, o aspecto econômico do Carnaval, que põe nas ruas do Brasil milhões de turistas de diversas partes do globo, loucos para gastar suas moedas cuja ampla maioria é imensamente mais valiosa do que nosso alquebrado Real. Lógico que todoso eles convenientemente portadores do inevitável passaporte da vacina e do álcool 70% e da máscara. O Carnaval é parte do setor econômico do turismo, tão necessitado de recuperação, no país, e no mundo.

Enfim, uma vez desacreditada a Ômicron, e avançado ainda mais o processo de imunização no Brasil, possam os cientistas liberar o Carnaval, para a imensa alegria do povo brasileiro, nas ruas do país, a dançar e cantar frevos, sambas e axés, e fustigar o poder mal exercido, que mais se mostra temeroso do povo feliz e crítico do que dos efeitos terríveis da Covid-19. Será sempre da ciência a última palavra em qualquer país civilizado, pois.

Portanto, caso a ciência acabe por nos dissuadir da folia, com a força com que nos convenceu sobre a necessidade da vacina e das determinações sanitárias, não há o que fazer. Mas, por enquanto, paCIÊNCIA! Vamos manter acesa a chama do Carnaval 2022.

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