PARAHYBA DO NORTE E SUAS HISTÓRIAS: Nos tempos de veraneios nas praias do Poço, Formosa e Ponta de Matos
A partir desta data é que Cabedelo ganhou autonomia de vez, levando a estibordo essas belas praias, e reduzindo o litoral pessoense às de Bessa, Manaíra, Tambaú, Cabo Branco, Seixas, Penha, Jacarapé, Arraial, Praia do Sol e Gramame. Contudo, até meados da década de 1950, eram aquelas praias as preferidas para veraneio das famílias de classes média e alta da capital paraibana. Inclusive, dos presidentes de Província, até 1889, passando pelos presidentes de Estado, até a Revolução de 1930, e, a partir de então, governadores. (Bastante contestado, Venâncio Neiva, o primeiro presidente do estado pós-República, por exemplo, foi uma vez deposto enquanto se encontrava veraneando em Cabedelo, recobrando o poder na volta).
Tambaú, naqueles tempos, era ainda um lugar ermo na configuração urbana da capital paraibana, restrito a colônias de pescadores e a uma ou outra casa de veraneio. Era enorme a dificuldade para chegar até a nossa orla urbana mais famosa, hoje em dia, mesmo com a Epitácio Pessoa aberta desde a década de 1920, afora as difíceis condições de habitabilidade locais.
Nas primeiras décadas de 1900, o trem se tornou importante meio de transporte para a condução dos veranistas até Cabedelo, linha inaugurada em 1889. Antes, barcos faziam o transporte de veranistas, no leito do Sanhauá-Paraíba. Em 28 de novembro de 1917, A União noticiava em matéria de capa que “Embarcou ontem para a Praia Formosa, onde vai veranear, o sr. Dr. Camilo de Hollanda, presidente do Estado. O sr. Dr. Camillo de Holanda seguiu pelo trem das 8 e 20”.
Em 21 de janeiro de 1928, a mesma A União anunciava em sua manchete de capa “No isolamento de sua residência de verão em Praia Formosa, o presidente João Suassuna recebe excepcionais homenagens pelo seu natalício”. Era lá que o pai de Ariano, enquanto responsável pelo governo da Paraíba, passava sua vilegiatura, segundo informava o jornal, termo usado para explicar uma temporada de férias. “Veio ontem da Praia do Poço, onde está veraneando com sua excelentíssima família, o integérrimo (sic) Dr. Pedro Bandeira, Juiz de Direito de Guarabira”, dizia nota em A União de 14 de novembro de 1906.
Mesmo até algum tempo depois de as praias de Tambaú, Manaíra e Cabo Branco conquistadas e urbanizadas, Ponta de Matos, Formosa e Poço continuaram sendo as preferidas para veraneio. Hoje em dia, com João Pessoa e Cabedelo definitivamente unidas em termos urbanos, essas praias e mais Camboinha, Ponta de Campina e Intermares são locais de moradia fixa, de inverno a verão, de parte da população que trabalha e entende residir na capital.
Nos limites da Paraíba, veraneio fica para os lados de Conde e Pitimbu, ao sul, enquanto ao norte, Baía da Traição e Barra de Camaratuba.
(Foto da praia de Ponta de Matos, atualmente, do site Destino Paraíba, do governo do Estado)
