PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A mudança do nome da capital paraibana, há 95 anos

Sérgio Botelho – Revisitar a capa do A União de 04 de setembro de 1930 não se limita a voltar no tempo. É sobretudo reviver todo o clima que envolveu os dias posteriores ao assassinato do então presidente do estado, João Pessoa.

A manchete dizia o seguinte: “A GLORIFICAÇÃO DO NOME DE JOÃO PESSOA. O governo sancionará hoje o projeto que muda o nome da capital para o do grande presidente”.

Mais abaixo, uma segunda manchete proclamava, em linguagem atual: “O presidente Álvaro Machado sancionará hoje o projeto legislativo que dá o nome de João Pessoa à capital”. Dois dias antes, os deputados tinham aprovado a troca.

Curioso é que Álvaro de Carvalho, o vice-presidente do estado que assumiu o governo com a morte de João Pessoa (e em novembro seria deposto, por conta da Revolução de 1930), não estava cem por cento anuente à proposta.

Dessa forma, fica claro que A União, órgão oficial do estado, havia fugido de seu (de Álvaro) controle, e passava a ser mais um elemento de pressão a favor da mudança do nome da capital.

Na matéria, o jornal transmitia um convite ao povo para assistir ao ato, o que terminou por lotar a Praça João Pessoa. E não teve jeito, Álvaro de Carvalho confirmou a decisão da Assembleia.

Na época, a cidade vivia solenidades constantes, em memória de João Pessoa, com presença maciça de populares e autoridades. As edições de A União daqueles dias ajudam a ver a dramaticidade da situação.

A tramitação legislativa para a mudança do nome da capital havia sido rápida. A Assembleia se reuniu no Teatro Santa Roza e aprovou o projeto em sessão repleta de gente, dentro e fora da casa. A sanção consolidou a homenagem.

No dia 5, o jornal saiu já com a data e a cidade sede do órgão oficial corrigidas, no cabeçalho: João Pessoa, 5 de setembro de 1930. No dia anterior, o jornal ainda se apresentava com Parahyba, 4 de setembro de 1930.

Dois anos depois, em 1933, o poder público organizou na praça um memorial à Revolução de 1930, instalando o Altar da Pátria e passando a promover rituais cívicos. O logradouro passou a fixar na paisagem a memória daqueles acontecimentos.

 

(Na imagem, os cabeçalhos de A União, de 4 de setembro e 5 de setembro de 1930, com a mudança do nome da capital, sede do jornal)

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