PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Papa Francisco sob a guarda eterna de Nossa Senhora das Neves
Sérgio Botelho – Inicio meu comentário sobre a lamentável morte do Papa Francisco, ocorrida nesta segunda-feira, 21, com uma incidental anotação, nos campos afetivo e espiritual, já que acaba tendo a ver com João Pessoa e sua padroeira. Seu corpo será sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, a maior igreja mariana de Roma, também referenciada durante séculos como de Nossa Senhora das Neves, com festa litúrgica exatamente no mesmo dia em que se comemora a fundação da capital paraibana: 5 de agosto.
Pois bem, o mundo, não somente o católico, está bastante comovido com a morte do Papa Francisco, que apresentava alguns sinais de que havia resistido à fase mais aguda de sua doença, ele que é importante símbolo de renovação da Igreja no sentido de sua vinculação aos segmentos mais sofridos da Terra. Além disso, a grande maioria do povo católico se mostra bastante preocupado com o que pode acontecer à Igreja após a sua morte, uma vez que há conservadores extremados de olho na cadeira do líder espiritual de milhões de pessoas em dezenas e mais dezenas de países, no mundo inteiro, que seguem os cânones da Igreja Católica. A preocupação é com os 252 eleitores que escolherão o substituto de Francisco, membros do Colégio de Cardeais, embora haja sinais animadores.
Desde sua eleição em 2013, o Papa Francisco, primeiro pontífice jesuíta e originário da América Latina, tem sido uma figura central na transformação da Igreja Católica, alinhando-a aos desafios do século XXI por meio de uma postura pastoral inovadora, engajamento social e reformas institucionais. Sua abordagem, marcada pela simplicidade e proximidade com os fiéis, redefine a missão da Igreja, priorizando a misericórdia, a inclusão e a justiça socioambiental.
Um dos pilares de seu pontificado é a opção pelos pobres, refletida não apenas em discursos, mas em ações concretas: desde o estilo de vida humilde até a defesa de políticas que combatam a desigualdade. Francisco ampliou o diálogo com grupos marginalizados, como a comunidade LGBTQ+, divorciados recasados e imigrantes, enfatizando que a Igreja deve ser um “hospital de campanha” acolhedor, onde a misericórdia divina prevalece sobre o rigor doutrinal.
Internamente, o papa impulsionou reformas estruturais para modernizar a Cúria Romana. A descentralização do poder, transferindo autonomia para conferências episcopais locais, adaptando a pastoral a realidades regionais. Na esfera financeira, criou mecanismos como o Conselho para a Economia e a Secretaria para a Economia para aumentar a transparência do Vaticano, combatendo históricos casos de corrupção. No combate aos abusos sexuais, estabeleceu normas obrigando bispos a denunciar casos às autoridades civis (2019) e revisou leis canônicas para responsabilizar hierarcas que encobrirem crimes, um avanço, mesmo com toda a lentidão burocrática do Vaticano na sua execução.
Contudo, Francisco enfrenta resistências de setores tradicionalistas, que veem suas posições como muito “liberais”, especialmente em questões morais e na gestão descentralizada. Além disso, desafios persistem: a implementação efetiva das reformas, a necessidade de maior participação feminina em cargos de liderança e a reconciliação entre progressistas e conservadores dentro da Igreja.
Sobre tudo isso, uma notícia tranquilizadora é a de que o novo Colégio de Cardeais que escolherá o próximo papa, no mínimo, daqui a 15 dias, tem 2/3 de sua composição de membros escolhidos por Francisco. Com cardeais alinhados aos valores de inclusão, justiça social e ecologia integral defendidos por Francisco, há expectativa de que a Igreja mantenha sua trajetória de abertura aos desafios contemporâneos, como o cuidado com os marginalizados, a defesa dos pobres, dos imigrantes e o diálogo inter-religioso.
Tomara que a tendência seja mesmo essa, no atual do Colégio Cardinalício, implicando realmente numa continuidade do legado reformista, garantindo estabilidade à agenda progressista mesmo após a eventual saída de Francisco. Ainda assim, o futuro dependerá de como esses cardeais interpretarão seu mandato: se como guardiães de um projeto em evolução ou de vacilação entre o tradicionalismo e a renovação.
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