Mestre Pastinha morreu em 13 de novembro de 1981

Há 38 anos morria o Mestre Pastinha, em Salvador, na Bahia

Sérgio Botêlho

Falecido na capital baiana, a 13 de novembro de 1981, pobre e esquecido, Mestre Pastinha nasceu na mesma Salvador em 05 de abril de 1889. Aliás, no mesmo ano em que oficialmente foi abolida a escravidão, no Brasil. A fim de se livrar de um menino mais forte que ele é que aprendeu capoeira.  Assim, sempre que lhe via, o menino lhe aplicava surras. Por conseguinte, um dia a história mudou

“Pastinha já foi à África, Pastinha já foi à África, pra levar capoeira do Brasil”, registrou Caetano Veloso em música épica. Na África, em 1966, deu show para os seus ancestrais. Muito mais do que isso, Pastinha está registrado indelevelmente na história da resistência negra no Brasil.

Com efeito, para enganar seus senhores, os escravos bantos empreenderam a capoeira. Dessa maneira, o que plasticamente parecia uma dança era um treinamento físico . Mas também um adestramento para a luta.

Berimbau

A capoeira é puxada por um berimbau, instrumento musical rústico feito a partir de uma vara de madeira. Nas extremidades ficam presas as duas pontas de um arame, bastante esticado. Como caixa de ressonância, uma cabaça é fixada numa das extremidades.

O instrumento tem origem em Angola, na África. Mas, também existe em outros países daquele continente, com nomes diversos. Foram os escravos então que trouxeram o berimbau para o Brasil, adaptando-o para o uso na capoeira.

Como instrumento de resistência escrava, a capoeira foi aos poucos conquistando espaço na cultura brasileira. Aliás, assim como aconteceu com muitas outras iniciativas artísticas, culturais e gastronômicas negras, no país.

Destaque

Pois bem, voltando a Pastinha, o mestre evoluiu do aprendizado ao ensino da capoeira, destacando-se no cenário baiano. Mais do que isso, o mestre Pastinha tornou-se, mesmo, um pensador da capoeira, com direito a livro escrito a respeito.

Sua escola de capoeira ficava em pleno centro cultural de Salvador: o Pelourinho. Dali, Pastinha irradiava conhecimentos. E granjeava prestígio entre intelectuais como Jorge Amado e Caetano Veloso, entre outros.

Importante assinalar que Pastinha buscava transmitir seus conhecimentos sobre a capoeira no sentido da arte. E da defesa, claro. Nunca da violência, mas, em favor da paz. A plasticidade e harmonia da capoeira eram os elementos a serem valorizados.

Infelizmente, Pastinha acabou a vida cego, na miséria e despejado do prédio onde funcionava sua escola de capoeira, no Pelourinho. Contudo, no livro Capoeira Angola, deixou perpetuados seus ensinamentos. E, para a história, o perfil de um educador, como poucos no país.

De minha parte, neste breve texto, a homenagem no 38º aniversário de sua morte.

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