PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Loja Maçônica Branca Dias

Sérgio Botelho* – Quando do seu tombamento estadual, em 1980, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estada Parahyba (Iphaep) reconheceu o prédio da foto como parte do patrimônio cultural e histórico paraibano.

A partir de então, o edifício (obra do arquiteto Hermenegildo di Lascio), na atual Avenida General Osório, passou a ser oficialmente considerado como parte do conjunto urbano histórico da capital paraibana.

Ao mesmo tempo, a própria Grande Loja Maçônica Branca Dias, sediada no edifício, ficou reconhecida como uma das instituições que ajudaram a formar a vida pública pessoense ao longo do século XX.

Segundo a história oficial da Maçonaria da Paraíba, a Branca dias foi criada em 10 de janeiro de 1918, tendo à frente o maçom Augusto Simões, sob os auspícios do Grande Oriente do Brasil. Contudo, o atual prédio, projeto do arquiteto Hermenegildo Di Lascio, somente ficou pronto em 1927.

Esses marcos situam a Branca Dias como uma das lojas mais antigas e influentes do cenário maçônico paraibano do século XX. Ela está relacionada entre as quatro primeiras fundadas no estado.

A escolha do nome é o traço mais singular da loja e, ao mesmo tempo, o mais delicado do ponto de vista histórico, porque Branca Dias vive numa zona em que documento, tradição e lenda frequentemente se misturam.

O que os textos comemorativos mais repetem é que o nome homenageia uma jovem cristã-nova, ligada à região de Gramame, que teria morrido em auto de fé em Lisboa, no ano de 1761.

Porém, há uma Branca Dias bem documentada na história colonial de Pernambuco, associada a processos inquisitoriais do século XVI, também vinculada à memória dos cristãos-novos.

Na verdade, os fundadores da loja escolheram inscrever a Branca Dias paraibana numa narrativa de intolerância religiosa, expressando situação vivida pelos próprios maçons ao longo da história. O que já inspirou notável peça teatral, assinada pelo dramaturgo e romancista Dias Gomes, intitulada O Santo Inquérito, com adaptação para a TV.

*Sérgio Botelho é jornalista e escritor

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