
Sérgio Botelho – Apesar de ser verdade dizer que o acordo firmado entre portugueses e indígenas em 5 de agosto de 1585 foi o marco mais importante, do ponto de vista histórico, para a conquista da Capitania da Paraíba, isso não significa achar que, desde então, reinou a mais completa paz em favor dos conquistadores.
Pouco mais de um ano depois, precisamente em 27 de setembro de 1586, Martim Leitão, que havia assentado praça em Recife, após a conquista da Paraíba, recebeu mensagem escrita dando conta da presença de franceses, montados em cinco naus (depois chegaram mais duas), trabalhando junto com Potiguaras, em Baía da Traição, recolhendo o precioso pau-brasil.
A missiva continha pedido de socorro, uma vez que a intenção dos franceses seria, conforme os redatores, a de “combaterem e assolarem o forte da Paraíba”, de acordo com a seminal obra de história do Brasil, escrita por Frei Vicente de Salvador, nascido na capital baiana, e que foi reeditada pela Editora Senado, à disposição na Internet.
Os Potiguaras seguiriam não tão comprometidos com os portugueses, na Capitania da Paraíba, diante de apelos outros como dos franceses e, um pouco mais tarde, dos holandeses. Todos igualmente invasores, com muito maior poder de fogo do que eles, interesses diversos entre si, como também de relacionamento com os nativos.
Os franceses, e mais tarde os holandeses, buscavam sobretudo o comércio e apoio militar contra os portugueses. Isso soava mais vantajoso para chefes locais que queriam manter autonomia e armamento. Coisas que, naquele preciso instante, os corsários da França ofereciam com facilidade, já que não vinham para ocupar a terra.
O padrão português, por outro lado, envolvia ocupar, cobrar lealdade e reorganizar a vida nas aldeias sob missionários e oficiais. Esse contraste explica por que, no começo, muitos Potiguaras não se comprometeram com Lisboa. Além do mais, havia disputa entre os indígenas.
A obra de Frei Vicente de Salvador segue descrevendo em detalhes as batalhas travadas, naquele momento, por Martin Leitão contra os franceses e a parte dos indígenas que lhes seguiam, quando, ao fim de tudo, já correndo o ano de 1897, os gauleses abandonaram Baía da Traição de mãos vazias.
Mas a luta pelo domínio da Paraíba continuou.
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