
Singularmente, no rol das igrejas da capital paraibana, a da Misericórdia, erguida pela Santa Casa de Misericórdia, é a mais antiga existente na cidade com a mesma estrutura e estilo maneirista com que foi construída, segundo a arquiteta Piedade Farias, que trabalhou na última restauração feita no templo.
“A Misericórdia já foi construída em pedra calcárea, enquanto as outras mais antigas foram feitas em taipa de pilão, e depois reconstruídas. A atual catedral basílica é a terceira versão da igreja matriz”, diz Piedade.
“Há registros desta edificação {Misericórdia}, datados do ano de 1589, na obra “Novo Orbe Seráfico” {ou Chronica dos Frades Menores da Provincia do Brasil} de autoria do Frei Antonio Maria de Jaboatão e do ano de 1595 na ata da “Visitação do Santo Ofício”.
Essa última informação pode ser lida no trabalho acadêmico História e Memória da Santa Casa de Misericórdia da Paraíba, da professora Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia e da arquiteta Marieta Dantas Tavares, no Repositório da UFPB.
Ainda de acordo com a obra acadêmica, uma descrição de 1609, contida na Relação de Diogo de Campos Moreno, um militar português, menciona a existência da Igreja da Misericórdia. Dessa forma, pouco mais de duas décadas após fundada a cidade.
No local, ao longo do tempo, além da igreja, havia ainda o Hospital da Caridade e outro para Alienados, além de um cemitério. Tudo isso entre a Rua Direita e a Rua das Mercês, hoje Visconde de Pelotas, em pleno Centro da cidade, reforçando a importância da atual rua Duque de Caxias no contexto histórico pessoense.
(Foto: Igreja da Misericórdia, atualmente)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.
Igreja da Misericórdia, em João Pessoa, guardiã da história e da fé
Igreja da Misericórdia, em João Pessoa, guardiã da história e da fé
