PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O holandês Yppo Eyssens, governador da Parahyba do Norte

Capela de Nossa Senhora do Socorro, construída em louvor à vitória sobre Yppo Eyssens

Sérgio Botelho – Entre os holandeses que governaram a Capitania da Parahyba do Norte, um deles ficou famoso pela perversidade com que agia. Ippo Eyssens era conselheiro político da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil.

Ele chegou ao Nordeste como membro do conselho de governo neerlandês em 1634. Passou por Itamaracá e assumiu a direção da Capitania da Paraíba entre junho e agosto de 1636.

Em seu breve governo se apropriou de engenhos estratégicos no vale do rio Paraíba. Entre eles o Engenho Espírito Santo, na margem direita do rio, que Eyssens pôs a funcionar sob controle holandês.

Por outro lado, havia um combatente que ficou famoso, no Nordeste, por empreender forte resistência aos holandeses, chamado capitão Francisco Rabelo, que empreendia luta em todo o território dominado pelos batavos.

Numa dessas lutas, exatamente no Engenho Espírito Santo, Rabelinho, como era mais conhecido, enfrentou os conquistadores, em condições de absoluta inferioridade, conseguindo derrotar as tropas holandesas.

Nessa luta, que aconteceu em 14 de outubro de 1636, acabou morto o próprio governador Yppo Elyssens, fato que, na sequência, resultou em período de intensa repressão das tropas holandesas.

A notícia repercutiu porque o morto era o principal agente neerlandês na capitania. O episódio abriu vaga que foi preenchida por Elias Herckmans, autor da mais minuciosa descrição setecentista do vale do Paraíba e de seus engenhos.

Na leitura posterior de cronistas e dicionários militares, a morte de Eyssens virou emblema de como o domínio holandês dependia da proteção dos engenhos e de colunas rápidas. Cada perda no interior tinha valor econômico e simbólico.

Por conta da vitória, os habitantes da região fizeram construir duas igrejas no local dos combates, que não foram ligadas a engenhos. Tombada desde 15 de julho de 1938, uma delas é a Capela de Nossa Senhora da Batalha.

Já a Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (a da foto), tombada pelo Iphan em 1985, se constitui no único exemplar de capela de alpendre, na Paraíba, com colunas dóricas sustentando um telhado de três águas.

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