
Sérgio Botelho – Na noite de 16 de setembro de 1995, um sábado, o governador Antônio Marques da Silva Mariz, aos 57 anos, morreu na Granja Santana, residência oficial do governo da Paraíba.
Mariz, natural de Souza, que havia sido eleito no ano anterior, e tomado posse em 1º de janeiro, cerca de 9 meses antes do falecimento, tinha 57 anos e gozava de grande prestígio político dentro e fora da Paraíba.
A notícia, naturalmente, abalou o estado. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, onde Mariz militou, primeiro, como deputado federal e, depois, como Senador da República, decretaram luto.
O corpo foi velado no Palácio da Redenção, na Praça João Pessoa, na capital do estado. Longas filas se formaram para a despedida. Caravanas de diversos municípios paraibanos participaram do velório.
O enterro aconteceu no dia seguinte, 17 de setembro, no Cemitério Senhor da Boa Sentença, com honras de chefe de Estado e debaixo de uma intensa e emocionante salva de palmas.
Em Brasília, o presidente da República em exercício, Marco Maciel, que também compareceu ao velório e sepultamento, em João Pessoa, decretou luto oficial de três dias em todo o país.
Mariz havia adotado, em seu governo, o mote “Governo da Solidariedade”. Com a morte do titular, o vice-governador José Targino Maranhão assumiu permanentemente o cargo em 16 de setembro de 1995.
A memória de Antônio Mariz registra um político de estilo combativo à frente de um governo voltado aos mais pobres, o que reforça o ambiente de luto e de reconhecimento público que cercou o funeral.
O ilustre paraibano apareceu na política brasileira ainda estudante, na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, conforme lembrou o então senador José Maranhão, nos 20 anos da morte de Mariz, em discurso no Senado Federal.
Ingressou na política militando no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), pelo qual se elegeu prefeito de Sousa, cargo do qual foi afastado, como também da política, pelo golpe de 1964.
Embora houvesse aderido à Arena, Mariz era um ponto fora da curva na atividade partidária, sempre se colocando ao lado de matérias que significassem benefícios aos mais pobres.
Em 1978 ousou desafiar a indicação oficial do partido ao governo da Paraíba, que havia recaído na pessoa do então secretário de Educação Tarcísio Burity, e disputou a indicação para o cargo no Colégio Eleitoral paraibano.
Embora tenha perdido a peleja, pela força descomunal da pressão ditatorial sobre os deputados, a sessão levou centenas de populares à Praça João Pessoa. Ao fim, o povo organizou uma passeata pelas ruas de João Pessoa, com Mariz nos braços.
Eu vi.
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