No mundo cinzento das fake news e da difamação

Navegando pelas névoas da desinformação: entendendo os impactos pessoais e políticos da difamação e das fake news

A difamação – hoje, também embalada no pacote das fake news – é o ato de descredibilizar alguém ou um grupo publicamente. Dessa forma, prática ‘n’ vezes milenar, ela é frequentemente alimentada ou por objetivo político ou por aptidão pessoal. Neste último sentido, seja para autopromoção, para denegrir oponentes ou, em casos especiais, como hábito ou obsessão. No entanto, as implicações e as suas consequências variam nos dois contextos.

Difamação como aptidão pessoal

Emoções como ciúmes, ressentimento ou raiva normalmente movem a difamação a nível pessoal O difamador pode estar tentando elevar a própria cotação ao rebaixar a de outros. Mas também, pode querer prejudicar a de alguém que vê como uma ameaça ou rival. No caso mais extremo, a difamação pode ser um hábito, um mecanismo de enfrentamento inadequado à insegurança ou forma de obter atenção.

As consequências da difamação a nível pessoal podem ser graves para o alvo, prejudicando sua imagem, relacionamentos e até mesmo sua saúde mental (a depender do grau de vulnerabilidade do atingido). No entanto – embora, nem sempre -, o impacto tende a se restringir a pessoas diretamente envolvidas ou a um grupo.

Difamação como decisão de caráter político

No contexto político, frequentemente usam a difamação como uma ferramenta estratégica para descredibilizar oponentes e ganhar vantagem política. Políticos, partidos ou grupos de interesse podem disseminar informações falsas ou enganosas – as chamadas “fake news” – para prejudicar a reputação de seus adversários e influenciar a opinião pública.

Ao danificar a reputação de uma pessoa ou de um grupo, o difamador pode fazer com que os outros duvidem do que a pessoa está dizendo. Isso pode ser especialmente danoso se a pessoa estiver tentando se defender ou esclarecer uma situação ou sustentar um ponto de vista qualquer, pois suas palavras podem ser desconsideradas.

A difamação política tem implicações muito maiores do que a difamação pessoal. Ela pode afetar o equilíbrio de poder, influenciar eleições, e até mesmo desestabilizar sociedades. Além disso, uma vez que as fake news se espalham com o vendaval das redes sociais, é muito difícil corrigir a desinformação.

Componente destrutivo

Em ambos os casos, a difamação é um comportamento destrutivo e prejudicial. A desinformação, seja na forma de futrica pessoal ou de fake news política, pode causar danos irreparáveis à reputação de indivíduos, instituições e da própria política.

Portanto, é  crucial que as sociedades encontrem maneiras de combater a difamação e a disseminação de desinformação, seja pela educação, pela responsabilização legal ou por outras medidas coercitivas.

Mais comumente, é a extrema direita quem usa a difamação (e sua forma mais moderna, as fake news) como arma preferencial. Sem argumentos capazes de fazer predominar suas teses, normalmente dirigidas contra o processo civilizatório humano e ambiental, que se complementam, resta-lhe usar e abusar da difamação, utilizando esse recurso ao mesmo tempo fantástico e ameaçador que são as redes sociais.

Sérgio Botêlho

Leia o Para Onde Ir


Discover more from Parahyba e Suas Histórias

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Comente