
Pois não é que, em pleno fevereiro deste ano de 2025, roubaram a bengala que compunha a imagem de Augusto, na APL? Mais um ato de vandalismo contra a nossa memória, que já mutilou tantos outros monumentos dedicados a figuras históricas da Paraíba.
A ação, como era de se esperar, causou indignação entre todos os que valorizam a preservação de nossa história e o fortalecimento dos vínculos que nos unem à identidade local. Ainda mais, em se tratando da estátua do autor de Versos Íntimos, exposta no panteão de nossa literatura.
Na última quinta-feira, 26, porém, tive a satisfação de constatar que a bengala de Augusto foi reposta na estátua. Antes de participar de mais um Pôr do Sol Literário, na Academia, fotografei a feliz imagem, que reproduzo junto com este texto de hoje. Naturalmente, procurei saber como o atual presidente da entidade, o escritor Ramalho Leite, deu conta da difícil tarefa.
Fiquei sabendo, então, que, orientado pelo próprio escultor Maciel, diante de dificuldades praticamente intransponíveis para a reposição específica da peça roubada, foi utilizada madeira, com acabamento em verniz náutico, restaurando a leitura visual da obra.
Quem me informou sobre a engenharia artística empregada foi o historiador e curador Augusto Moraes, ele próprio executor técnico da bem-sucedida tarefa. E, assim, a Augusto dos Anjos foi devolvida a dignidade de sua bengala.
Importa insistir: essas estátuas são pontos de partida para a educação da sensibilidade e da cidadania. Elas nos convidam a conhecer não só os feitos, mas as ideias e os sentimentos que moldaram a cidade. E mais: revelam o quanto a literatura pode ser um bem público, inscrito na paisagem urbana como um livro aberto.
