Sérgio Botêlho – A guerra na Ucrânia está começando a mudar o curso da história e a ordem política e econômica mundial, com lances até pouco tempo inimagináveis no tabuleiro internacional.
Como exemplo, matéria publicada pelo New York Times, e reescrita por O Globo, dá conta de que missão diplomática norte-americana se encontra neste final de semana em Caracas para importantes conversas sobre as relações entre os dois países.
O problema é menos da Venezuela e mais dos EUA, que têm forte dependência do petróleo russo na ordem de 8% do total comprado no exterior, o que é muito e equivale, segundo a matéria, a 20,4 bilhões de barris por mês.
Acontece que há anos os norte-americanos mantêm uma política de boicote ao governo de Nicolas Maduro, o que levou a Venezuela a fechar oportunos acordos de compra e venda do produto com a Rússia, quebrando o cerco econômico decretado pelos EUA.
E os acertos com os russos não ficaram apenas no campo da economia. Conforme lembra a matéria do NYT, Moscou ainda realizou exercícios militares em parceria com os venezuelanos, inclusive com a participação dos bombardeiros Tupolev Tu-160, em 2018.
Para o sucesso do evento, os EUA estão usando não apenas a diplomacia do país, mas também empresários norte-americanos que mantêm alguma ligação com o governo Maduro, buscando, assim, quebrar naturais e justificáveis resistências.
A tarefa não é considerada exatamente um devaneio estadunidense, embora não seja fácil. Nos primeiros momentos da invasão da Ucrânia, Maduro fechou com Putin e até conversou com o líder russo por telefone. Na ONU, a Venezuela foi um dos aliados da Rússia ao não votar em duas resoluções apresentadas na Assembleia Geral da ONU condenando a invasão russa. Tem ainda o Irã, que tem ajudado bastante a Venezuela na produção de petróleo.
Contudo, mais recentemente, de acordo com o NYT, Maduro se disse disponível a todos os que quiserem produzir e comprar o petróleo da Venezuela, citando explicitamente os Estados Unidos. Negócios são negócios, inimizades à parte.
Por outro lado, também já existem alguns sinais de aproximação emitidos pelos Estados Unidos na direção de Cuba, como, por exemplo, a reabertura do consulado do país em território cubano, que um dia foi reaberto por Obama e depois fechado por Trump.
Atualmente, para que um cubano obtenha visto aos Estados Unidos ele tem de viajar muitas léguas marinhas, até Guiana ou Colômbia, para conseguir fazê-lo, e a notícia pegou bem no país.
A reabertura do consulado pode terminar sendo apenas a ponta de um iceberg, quem sabe, para também quebrar o boicote norte-americano de décadas contra a ilha. Nada como a necessidade para produzir algumas facilidades.
Dessa forma acontecem os primeiros movimentos empreendidos pelos Estados Unidos diante do transtorno que lhes causam a guerra na Ucrânia. O sucesso dessas empreitadas, no entanto, vai depender de muito engenho e arte da parte dos EUA.
Mais informações, nos dois links abaixo:
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