Pastor fez acordo para pagar indenizações a ex-internos, mas investigações continuam
Uma investigação do UOL e Folha de São Paulo revelou alegações chocantes de trabalho forçado e abuso em uma comunidade terapêutica no Rio de Janeiro. O centro, mantido por uma igreja evangélica, está sendo acusado de escravizar dependentes químicos, a maioria negros e de baixa renda, sob a promessa de tratamento e cura baseada na fé.
Tomé, um dos ex-internos e seguidor do candomblé, relata ter sido submetido a trabalhos forçados, condições de vida degradantes e racismo religioso durante sua estadia na Casa Cristã de Reabilitação Alcance Vitória. Além de enfrentar comida estragada e acomodações infestadas, Tomé e outros internos foram vítimas de exploração laboral sem remuneração.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Superintendência Regional do Trabalho do Rio, com apoio da Polícia Federal, libertaram nove ex-internos em duas operações distintas. Estas vítimas relataram ter sido forçadas a trabalhar em condições análogas à escravidão, tanto na comunidade terapêutica quanto em comércios e obras locais. O pastor Jackson Almeida, responsável pela instituição, é acusado de confiscar qualquer remuneração dos internos, embora negue todas as acusações.
As vítimas, privadas de tratamento médico ou psicológico adequado, foram atraídas para o centro com falsas promessas de recuperação. Almeida fez acordos com o MPT para pagar indenizações aos ex-internos, mas as investigações sobre as condições e práticas no centro continuam. Este caso levanta sérias questões sobre a regulamentação e supervisão de comunidades terapêuticas no Brasil.

