
Sérgio Botelho – A primeira década do Século XX viu nascer duas instituições com naturezas e finalidades distintas: a primeira, voltada à pesquisa e à memória, a outra à formação técnica profissional mais elementar.
Estou falando do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, fundado em 1905, e da Escola de Aprendizes Artífices da Paraíba, em 1909. No que pese as diferenças de escopo, ambas foram bastante significativas naqueles primeiros anos da República no estado.
Na gênese de uma e de outra, há um cidadão que, apesar de não ter concluído o curso superior, frequentou a Faculdade de Direito do Recife, por três anos, dominou o espírito acadêmico, e pontificou na história cultural paraibana por décadas.
Me reporto a João Rodrigo Coriolano de Medeiros, nascido em 1875, em área do atual município de Santa Terezinha, na região de Patos, que fez parte de um grupo de intelectuais de grande projeção na primeira metade do Século XX. Sendo um dos seus fundadores, ele dá nome à sede da Academia Paraibana de Letras.
Contudo, não é exatamente dele que vou falar na minha crônica de hoje, mas da tal Escola de Aprendizes Artífices, criada pelo presidente Nilo Peçanha em 23 de setembro de 1909, em meio ao governo paraibano de João Machado, que funcionou, inicialmente, na Praça Pedro Américo.
O prédio que abrigava a moçada sedenta de estudos profissionalizantes era o do Quartel da Polícia Militar (o da foto que ilustra a matéria), antes de se mudar de vez para o belíssimo prédio da Avenida João da Mata, onde hoje funciona a Reitoria do Instituto Federal de Educação.
O papel de Coriolano de Medeiros foi decisivo na instalação da escola na cidade, onde entrou já em 1910, seu primeiro ano de funcionamento, como escriturário/secretário, por problemas burocráticos de formação, passando depois à direção, primeiro de forma interina e, mais tarde, efetiva.
Em função disso, o primeiro diretor oficialmente investido como tal, na Escola, foi o engenheiro Miguel Medeiros Raposo, que também exerceu o cargo de Diretor de Obras Públicas do Estado à época do governo Castro Pinto, entre 1912 e 1915, como nos diz A União de 7 de março de 1914.
A Escola de Aprendizes Artífices da Paraíba mudou de nome várias vezes. Foi Liceu Industrial, entre 1937 e 1958. Escola Industrial Coriolano de Medeiros no período de 1958 a 1965. Escola Técnica Federal de 1965 a 1999. Centro Federal de Educação Tecnológica, 1999 a 2008. E, hoje atende pelo nome de Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB).
Foi assim.
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