Sérgio Botelho – O dia 21 de julho não pode passar em branco na memória paraibana. Foi nesse dia, no ano de 1871, que veio ao mundo, na cidade da Parahyba (atual João Pessoa), uma de suas mais importantes figuras intelectuais: Eliseu Elias César.
Nascido em pleno regime imperial e da economia escravista, Eliseu era negro. Como seus avós paraibanos brancos possuíam algum recurso, ele pode se matricular no curso de Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito do Recife, a partir de 1895. Mas teve de trabalhar.
Em Recife, fez de tudo para sobreviver e concluir o curso, inclusive trabalhando como tipógrafo. Mas também colaborou com jornais pernambucanos, como A Província, e aprimorou-se na oratória.
Um pouco antes, em 1894, ainda na Parahyba, Eliseu aprontou o livro poético Algas, revelando sua veia literária. Na obra, o paraibano reforçava o seu pertencimento étnico, especialmente na valorização da estética negra por meio do poema “Não queira nunca ser branca”.
Eu sua curta existência, de pouco mais de meio século, Eliseu César foi um migrante contumaz, sendo grande por onde passou. No Espírito Santo, antes mesmo da formatura, foi promotor público.
No Pará, por exemplo, se elegeu deputado estadual e comandou a principal secretaria da Prefeitura de Belém, na histórica administração do maranhense Antônio Lemos, responsável pela modernização da cidade, na época.
Passando pela cidade de Santos, onde foi editor de jornal, chegou ao Rio de Janeiro, inicialmente, no Jornal do Brasil, o de maior tiragem da época. Na capital federal foi chamado de “Rui Barbosa negro”, “sucessor de José do Patrocínio” e de “o preto magnífico”.
Seu sepultamento, em 1923, no Rio, dignificado por discursos, contou com gente de representatividade nacional, inclusive ministro do Supremo. Eliseu César, hoje, é um dos patronos da Academia Paraibana de Letras e nome de rua no Centro de João Pessoa.
(Foto: Eliseu Cesar, no Pará)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.
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