Eça de Queiroz, nascido a 25 de novembro, em rápidas tecladas

Em 1875, quando Eça de Queiroz lançou sua primeira obra em forma de livro tinha 30 anos de idade. Tratava-se de uma das obras literárias mais respeitadas da língua portuguesa: O Crime do Padre Amaro.

Sérgio Botêlho

Em 1875, quando Eça de Queiroz lançou sua primeira obra em forma de livro tinha 30 anos de idade. Tratava-se de uma das obras literárias mais respeitadas da língua portuguesa: O Crime do Padre Amaro. Antes, em 1870, junto ao escritor Ramalho Ortigão, escreveu O Mistério da Estrada de Sintra, romance policial ridicularizado à época. No entanto, esta obra, publicada em forma de cartas anônimas no Diário de Lisboa, somente se transformaria em livro em 1880. Registre-se, ainda, de 1867, a publicação de Notas Marginais, na Gazeta de Portugal, somente tornado livro após sua morte.

Padre Amaro

Dessa maneira, foi o Crime de Padre Amaro que transformou Eça de Queiroz, nascido em 25 de novembro de 1845, num escritor renomado. Não sem antes, por conta do livro, ter escandalizado a sociedade portuguesa, especialmente a Igreja Católica, com sua incontida iconoclastia. É que O Crime de Padre Amaro expôs as entranhas da falsa moral que transgredia, sub-repticiamente, os preceitos da Igreja e a média burguesia de então.

O livro conta a história de um padre novo que chega para assumir a paróquia de Leiria, em Portugal. Ciceroneado por um antigo professor, o cônego Dias, que lhe ensinara Moral, vai residir numa pensão. Na nova moradia, há uma moça bonita, Amélia, com a qual termina namorando. Ela é filha da dona da pensão que, por sua vez, era amante do cônego.

Para encurtar a história, na moralista e católica Portugal do Século XIX, a moça engravida. O padre Amaro encontra um jeito de isolar Amélia com uma velha e doente criatura. E encomenda indivíduos para matar a criança, tão logo ela nasça. Enfim, morem Amélia e a criança, enquanto Amaro segue sua vida de clérigo. Protestos generalizados da Igreja, quando do lançamento do livro, não impediram o sucesso da obra. Sucesso que continua pelos anos afora, até os dias de hoje.

Eça e outras obras

Eça de Queiroz era filho de um brasileiro, nascido em Recife: José Maria Teixeira de Queiroz. Contudo, sua mãe era portuguesa: Carolina Augusta Pereira de Eça. Eça, entretanto, nasceu em na cidade de Póvoa de Varzim, em Portugal. No momento em que veio ao mundo, seus pais não eram casados, o que somente viria a ocorrer 4 anos depois. Assim, esconderam o filho todo esse tempo. Eça terminou sendo educado pelos avós.

Além de O Crime do Padre Amaro, Notas Marginais e O Mistério da Estrada de Sintra, Eça de Queiroz, formado em Advocacia e exercendo o jornalismo, escreveu outras obras de grande reputação na literatura. A exemplo de O Primo Basílio, O Mandarim, A Relíquia, Os Maias, A Correspondência de Fradique Mendes, A Cidade e as Serras. E, ainda, relatos de viagens: Uma Campanha Alegre, Cartas da Inglaterra, Ecos de Paris, e O Egito.

Em toda a obra de Eça de Queiroz, persiste a veia crítica a aspectos sociais, políticos e de costumes, da época. “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”, dizia o escritor, a revela sua capacidade de desnudar, para além das aparências, o cerne das coisas e dos indivíduos.

E, assim, o registro sobre Eça de Queiroz passa a fazer parte dessas memórias de cada dia, aqui, no Para Onde Ir.

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