
Sérgio Botelho – O jornal A União de 29 de agosto de 2017, uma terça-feira, trazia, na parte de cima da sua capa, a temida notícia da morte do Arcebispo Emérito da Paraíba, Dom José Maria Pires, ocorrida em Belo Horizonte no domingo, 27.
Dom José ou Dom Pelé ou Dom Zumbi (este último, apelido pelo qual tinha preferência) havia exercido o arcebispado ativo no estado por 29 anos, quando teve de renunciar em virtude da idade (75 anos).
O sepultamento ocorreu naquela mesma terça (dia em que o corpo chegou à capital paraibana), na cripta da Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, após um dia inteiro de velório naquele templo católico.
Dom José foi nomeado arcebispo da Paraíba em 2 de dezembro de 1965, assumindo a arquidiocese em 26 de março de 1966. Permaneceu na administração da Cúria até 29 de novembro de 1995.
Antes de assumir a missão católica, no estado, Dom José havia participado intensamente do Concílio Vaticano II (1962-1965), quando a Igreja redefiniu sua missão e passou a se vincular mais fortemente aos problemas do mundo.
Ainda no Concílio, Dom José, Dom Hélder Câmara, Dom Antônio Fragoso e dezenas de outros bispos e padres assinaram o Pacto da Igreja Servidora e Pobre, conhecido como Pacto das Catacumbas.
O grupo passou a viver e difundir a necessidade de a Igreja se vincular definitivamente às demandas dos necessitados por justiça, dignidade, igualdade e solidariedade, vale dizer, uma Igreja dos Pobres.
Assim disposto, Dom José Maria Pires passou a conduzir a Igreja na Paraíba, o que o levou a entrar em choque, não raras vezes, com os setores patronais do campo e com a ditadura militar que vigorava no Brasil.
Foi voz ativa contra o racismo e em defesa dos direitos humanos. Em novembro de 1981, na Praça do Carmo, em Recife, presidiu a histórica, Missa dos Quilombos. A celebração uniu liturgia e afirmação da cultura afro-brasileira.
Dom José virou símbolo perene das lutas camponesas na Paraíba, entre as quais a de Alagamar, que terminou inspirando uma peça musical para vozes e instrumentos, intitulada Cantata para Alagamar.
A composição tem como autores o escritor, ator, dramaturgo e artista plástico Waldemar José Solha, e o pianista, professor e compositor argentino naturalizado brasileiro, José Alberto Kaplan.
Em setembro de 2013, Dom José recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Paraíba-UFPB. O reconhecimento destacou sua atuação na arquidiocese e presença pública no estado.
