Sérgio Botelho – Nem faz tanto tempo assim, apenas seis anos. O governador, inclusive, continua o mesmo: João Azevêdo. Mas um instrumento legal editado pelo governo paraibano em 13 de março de 2020 começaria a transformar radicalmente a vida cotidiana da população.
Naquele dia, foi publicado o Decreto Estadual nº 40.122, declarando situação de emergência na Paraíba diante da Covid-19. A medida se amparava na emergência nacional em saúde pública e na declaração de pandemia feita pela OMS dois dias antes, em 11 de março.
Não se tratava ainda do fechamento mais rígido, mas foi o ato que estabeleceu a base jurídica e administrativa para tudo o que viria depois: reorganização do serviço público, restrições de circulação, contratações, compras emergenciais e uma série de medidas sanitárias. Ao fim de março e início de abril, a doença já avançava, e os boletins epidemiológicos passaram a refletir a gravidade do quadro.
Durante todo o restante de 2020, a Paraíba viveu o que praticamente todo o Brasil viveu, mas com sua geografia, suas desigualdades e seus próprios ritmos. Em 2021, outro capítulo se abriu: a vacinação contra a Covid-19 começou em 19 de janeiro.
A chegada das vacinas não apagou o drama anterior, mas mudou a paisagem moral e política da pandemia. Em 18 de outubro de 2021, a Paraíba registrou, pela primeira vez em 580 dias, um período de 24 horas sem mortes por Covid-19, segundo boletim oficial do governo estadual.
Visto em perspectiva, o Decreto nº 40.122 foi mais do que um ato burocrático. Ele inaugurou, na Paraíba, um período de excepcionalidade que mexeu com o cotidiano, a economia, o trabalho público, os serviços de saúde, os ritos sociais e até a percepção do tempo. Um capítulo terrivelmente inesquecível.
Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
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