PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O comércio de João Pessoa até as décadas de 1950 e 1960

A Rua da República ainda mantém um movimentado comércio à moda antiga.

Sérgio Botelho – Até as décadas de 1950 e 1960, o comércio de João Pessoa se concentrava nas ruas principais do atual Centro Histórico, nas partes alta e baixa da cidade. Era um cotidiano marcado pela proximidade entre comerciantes e fregueses, em um ambiente onde todo mundo parecia se conhecer.

Mercearias e pequenos armazéns e lojas dominavam a cena, oferecendo desde produtos de primeira necessidade — como arroz, feijão, açúcar, carvão e querosene — até artigos mais específicos, como tecidos e utensílios domésticos.

Em algumas lojas, especialmente nas mercearias (mas, não apenas), a compra era feita na base do “fiado”, anotada em cadernetas de confiança. O atendimento era personalizado: o dono do estabelecimento sabia o nome de cada cliente, suas preferências e até sua situação familiar.

A ideia de shopping center ainda era uma imagem distante que mal chegava aos ouvidos da população. Mesmo a noção de supermercado, com prateleiras de autosserviço, somente se firmaria entre a parte final da década de 1960.

No fim da década de 1950, João Pessoa viu surgir o Armazém do Norte, considerado o primeiro estabelecimento de porte maior na cidade, mas nada parecido com os shoppings de hoje em dia. Ainda assim, sua presença não quebrou a hegemonia dos pequenos comércios de bairro, que continuaram a ser o coração do abastecimento cotidiano.

A cidade, de ritmo mais lento e socialmente compacta, respirava os ares de um espaço urbano ainda dominado pela convivência direta, pelo contato pessoal e pelo comércio tradicional. Cada ida às compras era também um momento de encontro, de conversa, de troca de novidades — um elo essencial na vida urbana de então.

Hoje, o cenário é outro. O comércio de rua de João Pessoa se espalhou por várias zonas da cidade, acompanhando a expansão urbana e a mudança nos hábitos de consumo. Grandes redes, shoppings centers e supermercados assumiram o protagonismo, oferecendo conforto, variedade e rapidez. O autosserviço virou regra, e o atendimento personalizado cedeu lugar à praticidade impessoal.

A cidade, como se diz, é outro departamento.


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