Sérgio Botelho – As noites e dias da semana inteira do Centro de João Pessoa contavam com os bons préstimos gastronômicos de um memorável espaço de convivência e de lanches, no Ponto de Cem Reis.
Falo do Ponto Chic, um dos dois pavilhões que existiam no formato antigo da Praça Vidal de Negreiros, entre os anos 1950 e 1970, quando foram derrubados em favor da edificação do Viaduto Damásio Franca.
Para recuperar a história é preciso dizer que naquela praça havia dois pavilhões: um para o lado da Visconde de Pelotas (onde atuavam engraxates) e o outro, para o da Duque de Caxias, justamente o Ponto Chic.
Enquanto isso, na parte central da praça estacionavam carros de aluguel ou carros de praça, os atuais táxis. Chofer (do francês chauffeur) de praça era como se chamava, então, o taxista de hoje.
Voltando ao Ponto Chic, havia ali a lanchonete de “seu” Madruga de memoráveis refeições leves e ligeiras. O lugar era centro de convergência a servir trabalhadores, estudantes e moradores.
A meninada, do que a gente gostava mesmo, sem desfazer da deliciosa cartola, à base de banana frita, era da composição caldo de cana e cachorro-quente. Nos tempos do Ponto Chic, à base de carne moída e verdura picada.
Em frente ao pavilhão da Duque de Caxias, para o lado da praça, até início da década de 1960, paravam bondes de todas as partes da cidade. Isso fazia com que o local fosse ainda mais concorrido.
Hoje, o Ponto Chic vive no imaginário, alimentado pelas lembranças. Não é mais um lugar físico, mas um espaço de saudades.
(Foto: Pavilhão original erguido na década de 1920 no Ponto de Cem Reis, do lado da Duque de Caxias, e onde, a partir de 1950, funcionou o Ponto Chic)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Uma memorável lanchonete na João Pessoa dos anos 1950 e 1960
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