PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O nosso Centro Histórico merece respeito

Sérgio Botelho – Nesses últimos dias, em meio à tarefa de escrever diariamente sobre memória paraibana, especialmente da atual cidade de João Pessoa, tenho me dedicado a abordar marcos da antiga Rua Direita, atual Duque de Caxias.

Ao lado da Rua Nova, atual General Osório, a Rua Direita passou a ocupar lugar central na história da atual João Pessoa, nas primeiras décadas de construção da Filipeia de Nossa Senhora das Neves. A cartografia holandesa já mostrava essa importância.

Ao longo do seu percurso foram sendo instalados edifícios religiosos, serviços privados, administrativos e assistenciais. No campo religioso, a via chegou a reunir o conjunto franciscano, a Igreja da Misericórdia, a Igreja do Rosário dos Pretos e o conjunto jesuítico.

Na área da atual Praça Rio Branco, por sua vez, funcionaram a Casa de Câmara e Cadeia, a Casa do Erário, o açougue e o pelourinho, símbolos de autoridade municipal, logo nos tempos iniciais de nossa existência urbana.

Com o crescimento da cidade, a rua ganhou sobrados, residências, lojas, repartições, escolas, associações, clubes e locais de encontro. Procissões, festas, cerimônias cívicas e manifestações políticas palmilharam seu leito e sua calçada.

Durante séculos, moradores de diferentes condições sociais conviveram naquele espaço, deixando marcas na arquitetura, nos registros documentais, nos costumes e nas memórias da população pessoense.

Mesmo depois de perder parte de sua antiga centralidade comercial, a atual Duque de Caxias continua sendo uma espécie de documento urbano. Seus prédios, largos e alinhamentos permitem compreender como João Pessoa nasceu, cresceu e se transformou.

Na verdade, é preciso reforçar a necessária tarefa, de caráter permanente, em favor da preservação de todo o nosso Centro Histórico, do qual a Rua Direita é símbolo de destaque. Nesse sentido, o esforço deve ser tanto do poder público quanto de nós outros.

(Foto: Fotografia aérea de João Pessoa, de 31 de março de 1934, da Aeronáutica)

*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.

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