Sérgio Botelho – Um dos mitos mais assombrosos para a criançada pessoense, até a década de 1960, atendia pelo nome de Pindobal. “Você se comporte, senão vai para Pindobal!”; “Menino que não estuda termina em Pindobal!”. Pindobal, para a gente, era o sinônimo de Inferno!
O Centro Agrícola Pindobal foi criado pelo então presidente João Pessoa, em 1929. O Decreto 1.672, de 10 de junho de 1930, que o regulamentou, dizia que sua finalidade era receber “menores delinquentes e abandonados” para educá-los e lhes dar meios de voltar à sociedade com uma profissão. No entanto, os objetivos vinham envelopados com ideias de alistamento compulsório e de medidas corretivas.
Vem daí a fama, inclusive, piorada por muitos pais, que apavorava os meninos pessoenses até mais ou menos a década de 1960. Até se sabe, hoje, que a partir da década de 1950, com o fim do contrato com uma ordem de frades holandeses, o quadro teria mudado bastante.
Contudo, para os da época, Pindobal continuava sendo sinônimo de disciplina e castigo. Se o governo explicava as mudanças, não lembro. Mas os pais não tinham nenhum interesse nisso. Além do mais, como era coisa de pobre, havia o inevitável preconceito.
Hoje, Pindobal apenas é lembrada pelos velhos prédios e uma comunidade que ocupa o local.
(Foto: Centro de Educação Produtiva de Pindobal)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.
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