PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Carlos Dias Fernandes

Sérgio Botelho – O assunto de hoje relembra uma das figuras intelectuais mais fulgurantes do início do Século XX, na Paraíba, se destacando no jornalismo, na literatura, no ensino e na advocacia.

Estou falando de Carlos Dias Fernandes, um mamanguapense nascido em 20 de setembro de 1874, que se tornou numa das vozes mais atentas da cultura letrada paraibana na Primeira República.

Em sua intensa atividade, publicou dezenas de livros e centenas de artigos. Defendeu ideias avançadas para o seu tempo, como o vegetarianismo, a proteção aos animais e a emancipação feminina.

Já muito viajado e ilustre, chegou à capital paraibana em 1912, pelas mãos do conterrâneo de Mamanguape, João Pereira de Castro Pinto, então governador do estado. Veio com a missão de dirigir o jornal A União.

Sob sua liderança, A União editou e lançou obras de grande alcance. Entre elas, “A Paraíba e seus problemas”, de José Américo de Almeida, marco do pensamento social nordestino.

Como autor, circulou por vários gêneros. Escreveu o romance “A Renegada” e publicou, em folhetim, “Os Cangaceiros”, texto que registra paisagens e tipos do sertão.

Na educação, deixou um título de longa vida escolar. “A Escola Pittoresca”, preparado na gestão Camilo de Holanda, foi adotado por decreto em 1918 e usado como referência didática.

Seu nome também figura na história literária do país. Fontes acadêmicas o descrevem como espírito inquieto, de temperamento romântico, que impulsionou correntes estéticas e renovou a crítica na Paraíba.

Tanto fez no campo intelectual que é patrono da Cadeira 32 da Academia Paraibana de Letras. A distinção consagra a memória do jornalista que fez de João Pessoa seu quartel de operações intelectuais.

Participou de eventos de imprensa além das fronteiras locais. Em 1926, representou A União e o jornal O Paiz no Congresso Pan-Americano de Jornalistas em Washington, reforçando seu papel de ponte entre a Paraíba e centros de decisão cultural.

Deixou A União e a Paraíba com a posse de João Pessoa, no governo paraibano, em 1928, quando foi morar no Rio de Janeiro, onde faleceu em 09 de dezembro de 1942.

A recepção póstuma foi discreta, mas sua obra seguiu viva em bibliotecas, hemerotecas e estudos. Nos últimos anos, seminários e novas edições recolocaram Carlos Dias Fernandes no mapa de leituras da Paraíba, com destaque para sua atuação na imprensa oficial e para a energia com que abriu portas a toda uma geração.


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