PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O baião

Sérgio Botelho – A foto que ilustra e motiva o texto desta quinta-feira, 04, é mais uma da Missão de Pesquisa Folclórica Mário de Andrade, ao Nordeste, em 1938, chefiada pelo engenheiro, arquiteto e pesquisador Luiz Saia.

A imagem mostra duas figuras populares, na cidade de Pombal, na Paraíba, dançando o baião. Isso mesmo, o ritmo popularizado nacionalmente em 1946, por Luiz Gonzaga, quando gravou Baião, uma composição dele e de Humberto Teixeira, seu maior parceiro.

“Eu vou mostrá pra vocês/Como se dança um baião/E quem quiser aprender/É favor prestar atenção!//Morena chegue pra cá/Bem junto ao meu coração!/Agora é só me seguir/Pois eu vou dançar o baião…”. Essas são as duas primeiras estrofes do baião de Gonzaga e Teixeira.

Na Pombal de 1938, a equipe não apenas fotografou a dança, ainda sem o apelo urbano alcançado com Gonzaga, como gravou áudio com uma das melodias cantadas na época, onde se destacam as participações de pífanos, zabumba, viola e sanfona de oito baixos.

Segundo o texto Baião, da Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, o gênero musical, cujo termo deriva de baiano, é uma dança popular nordestina já conhecida no interior do Nordeste do Brasil no final do século XIX.

O documento cita o folclorista natalense, Luiz da Câmara Cascudo, como aquele que registrou o baião no lugar de “fiel expressão da música nordestina do sertão, que nasceu sob a influência do cantochão (canto litúrgico da Igreja Católica) dos missionários, brotando das violas, das sanfonas de oito baixos, das zabumbas, dos pífanos dos homens rústicos”.

Então, está aí mais um registro importante feito na Paraíba, em 1938, pela Missão de Pesquisa Folclórica Mário de Andrade, o que ajuda a medir o significado cultural daquele esforço científico, que enxergava o valor, para a história, de costumes populares, os mais simples que fossem.

*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. O baião


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