Há 105 anos morria o poeta paraibano Augusto dos Anjos

Há 105 anos morria Augusto dos Anjos. poeta preferido dos noctívagos pessoenses

Sérgio Botêlho

É raro conhecer um noctívago pessoense que não saiba ao menos uma estrofe da poética de Augusto dos Anjos. Decerto, ali, pela 5ª rodada de chope, nas noites de João Pessoa, sempre aparece alguém para declamar alguma coisa do poeta.

Quimera

“Vês! Ninguém assistiu ao formidável enterro de sua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera – foi tua companheira inseparável!”. Inesperadamente, alguém passa a recitar a primeira estrofe de Versos Íntimos. Certamente, o poema preferido pelos boêmios da capital paraibana.

Dessa maneira é que, geralmente, têm início as recitações da obra de Augusto dos Anjos. Assim sendo, a voz passa a assumir um tom cada vez mais grandiloquente. Isso, principalmente quando repete uma das estrofes mais conhecidas de Versos Íntimos.

É a que proclama: “Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é a mesma que apedreja”. Então, a tertúlia ganha ares de intensa dramaticidade.

Em que escola?

Pois bem, sobre o estilo sombrio de Augusto dos Anjos, os críticos discutem, desde sempre, em que escola literária enquadrá-lo. Ou seja, se para uns ele é parnasiano, para outros, simbolista, e para outros, ainda, um pré-modernista. Enfim, para todos, um pessimista acostumado a usar o cientificismo em suas elaborações poéticas.

Essas características da poesia de Augusto dos Anjos, contudo, deixam espaço para construções líricas, embora sorumbáticas, conforme lhe é comum, que emocionam. É quando ele homenageia o pé de tamarindo que deu sombra às suas brincadeiras de criança e divagações da juventude.

Debaixo do Tamarindo

Diz Augusto em “Debaixo do Tamarindo”:

“No tempo de meu Pai, sob estes galhos,

Como uma vela fúnebre de cera,

Chorei biliões de vezes com a canseira

De inexorabilíssimos trabalhos!

Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos,

Guarda, como uma caixa derradeira,

O passado da Flora Brasileira

E a paleontologia dos Carvalhos!

Quando pararem todos os relógios

De minha vida, e a voz dos necrológios

Gritar nos noticiários que eu morri,

Voltando à pátria da homogeneidade,

Abraçada com a própria Eternidade

A minha sombra há de ficar aqui!”

Aqui para nós: é bonito ou não?

Academia

Ex-professor do Lyceu Paraibano, Augusto dos Anjos é patrono da cadeira número 1 da Academia Paraibana de Letras. Mas, também é o patrono da Academia Leopoldiniense de Letras.

Nascimento e morte

Nascido no Engenho Pau D’Arco, na cidade de Sapé-PB, em 20 de abril de 1884, Augusto dos Anjos faleceu em Leopoldina-MG, em 12 de novembro de 1914. Conforme laudo médico, em virtude do agravamento de uma tuberculose, na época, de dificílima possibilidade de cura.

Assim, neste 12 de novembro de 2019, há 105 anos da morte de Augusto dos Anjos, fica a nossa homenagem. Homenagem de um paraibano que, assim como tantos noctívagos, já recitou muito Augusto dos Anjos nas noites pessoenses.

Leia mais memórias de cada dia, aqui, no Para Onde Ir.

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