Sérgio Botelho – A foto que ilustra a matéria, da Praça Pedro Américo, fiz semana passada, quando da inauguração do Palácio dos Despachos. Ela mostra uma escultura do poeta paraibano Augusto dos Anjos, em atitude contemplativa, no mesmo rossio.
Ao fundo, dá para ver o antigo prédio dos Correios e Telégrafos cercado de tapume, a sugerir reformas que a prefeitura, proprietária do imóvel (desde que virou Paço Municipal), pretende fazer.
Aliás, em bora hora, já que, além do novo prédio inaugurado semana passada, estão repintados os do Teatro Santa Roza e do I Batalhão da Polícia Militar, todos ao redor da Pedro Américo. Com a possível revitalização dos velhos Correios, vai ficar um cenário bonito.
De todos esses prédios que emolduram a Praça Pedro Américo, o do velho Correios é o mais novo. O do quartel da PM é o mais antigo, inaugurado em 1811, em pleno Brasil Colônia (com reformas posteriores, incluindo acréscimo de andares).
Já os do Palácio dos Despachos e do Teatro Santa Roza são do tempo do Brasil Imperial, sendo o primeiro do ano de 1868 (o da conclusão, mas também com reformas posteriores e acréscimo de andares) e o do teatro, de 1889 (com intervenções pontuais posteriores), inaugurado a dias da Proclamação da República.
Nesta segunda-feira, 26, em minhas pesquisas diárias, me deparei com o Decreto nº 17.183, de 27 de janeiro de 1926, que abria crédito especial para “conclusão das obras do edifício destinado às repartições dos Correios e Telégrafos da capital do Estado da Parahyba (sic)”.
Na verdade, a obra começou em 1921, no governo federal do paraibano Epitácio Pessoa (1919-1922). Contudo, paralisada em 1924, foi retomada justamente em 1926 (na presidência de Artur Bernardes), a partir da abertura do crédito, e inaugurada em 1927 (governo Washington Luiz).
Trata-se de um conjunto visual, o que envolve a praça, que necessita permanentemente da atenção do poder público e do povo pessoense, uma vez que todos os prédios citados são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep).
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor

