PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Há 93 anos, o antigo coreto da Praça João Pessoa foi substituído pelo Altar da Pátria

Sérgio Botelho – No dia 8 de setembro de 1933, João Pessoa recebeu o chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas. A visita teve como principal compromisso a inauguração do monumento conhecido como Altar da Pátria, que permanece na praça.

A obra foi instalada no centro da antiga Praça Comendador Felizardo, já denominada Praça Presidente João Pessoa. Para sua construção, foi retirado o coreto onde aconteciam retretas, apresentações musicais e encontros da população.

O monumento foi criado pelo escultor paulista Humberto Cozzo, nome artístico de Bartolomeu Cozzo. A composição reúne granito, bronze e alegorias destinadas a representar a vida política de João Pessoa.

Na base aparecem três grupos escultóricos acompanhados pelas palavras “Ação”, “Civismo” e “Nego”. No destaque, uma estátua de João Pessoa, com os dizeres “A João Pessoa a Paraíba”, consagrando-o como mártir de 1930.

A inauguração aconteceu pouco mais de três anos após o assassinato do político paraibano, ocorrido em Recife. Sua morte fortalecera o movimento que levou Getúlio Vargas ao poder em novembro de 1930, por força de um golpe de Estado realizado em outubro.

Getúlio compareceu acompanhado de ministros, militares e autoridades estaduais. Entre os presentes estava José Américo de Almeida, ministro da Viação e antigo auxiliar do governo de João Pessoa. Quem governava o estado era o interventor Gratuliano de Brito.

Na solenidade, Vargas pronunciou o discurso intitulado A Paraíba na Revolução e as obras contra as secas (na íntegra, à disposição na Internet). Ele exaltou a participação paraibana no movimento de 1930 e assegurou maior presença do governo federal no Nordeste.

A cerimônia transformou a praça em espaço de consagração política. Cercado pelo Palácio da Redenção, pela Assembleia e pela Escola Normal (que funcionava no prédio que hoje sedia o Tribuna de Justiça), o monumento passou a ocupar o centro simbólico do poder estadual.

(Foto: Monumento Altar da Pátria)

*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.

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