Sérgio Botelho – O dia 12 de setembro de 1957 marca o falecimento do escritor paraibano José Lins do Rego, vitimado por sérios problemas hepáticos, no Hospital dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro.
A notícia comoveu a vida cultural brasileira. O escritor já vivia meses de hospitalização. Há registros de visitas ilustres, como a de Juscelino e Sarah Kubitschek, gesto que indica o tamanho do prestígio do paraibano na cena nacional.
O velório ocorreu na Academia Brasileira de Letras. O sepultamento foi no Cemitério de São João Batista. Essas duas imagens simbólicas fecham o percurso do autor nascido em Pilar e que alcançou dimensão literária nacional.
Jornais do Nordeste e do Sudeste deram chamada de capa. A União reuniu, décadas depois, recortes e tributos que ajudam a reconstruir aquele setembro. A matéria destaca a dimensão nacional do adeus.
A Funesc e o Museu José Lins do Rego, em João Pessoa, sempre fazem programações em setembro. Exposições e rodas de leitura aproximam o público do homem e da obra. A data funciona como ponto de encontro entre escola, museu e comunidade leitora.
A comoção renovada se explica por sua literatura bastante vinculada às experiências humanas que ultrapassam o endereço do engenho. O ciclo da cana mostra poder, desejo, infância, culpa, trabalho e decadência.
Mostra também o afeto que resiste. Não é só “regional”. É memória narrada com força moderna. São histórias que guardam a realidade nordestina, de ontem e de hoje, e que seguem emocionando e servindo de material de estudos.
Em seus livros, José Lins trabalha lembranças remontando cenas. A infância fala com a história social. O resultado é uma memória estética do Nordeste que conversa com leitores de qualquer parte.
Dessa forma, o legado permanece longo. Seus romances seguem abrindo portas para quem quer entender o Brasil. A data do falecimento lembra que a vida termina. A literatura que ele escreveu, no entanto, continua viva.
Obras de José Lins do Rego
- Menino de Engenho, romance (1932)
- Doidinho, romance (1933)
- Banguê, romance (1934)
- O Moleque Ricardo, romance (1934)
- Usina, romance (1936)
- Histórias da Velha Totonia, literatura infantil (1936)
- Pureza, romance (1937)
- Pedra Bonita romance (1938)
- Riacho Doce, romance (1939)
- Água Mãe, romance (1941)
- Gordos e Magros (1942)
- Fogo Morto, romance (1943)
- Pedro Américo (1943)
- Poesia e Vida (1945)
- Conferências no Prata (1946)
- Eurídice, romance (1947)
- Homens, Seres e Coisas (1952)
- Cangaceiros, romance (1953)
- A casa e o Homem (1954)
- Roteiro de Israel (1954)
- Meus Verdes Anos, memória (1956)
- Presença do Nordeste na Literatura Brasileira (1957)
- O Vulcão e a Fonte (1958)
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