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28 de maio: Dia do Ceramista

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Oleiro ou ceramista são os trabalhadores que preparam a massa cerâmica, desenvolvem modelos e projetos, modelam e formatam peças, queimam a argila, preparam tintas, esmaltes e vernizes para as peças artesanais e os que executam acabamentos.

A história da cerâmica acompanha a história das civilizações, desde a descoberta do fogo. A argila queimada é utilizada em todas as sociedades – das mais antigas às consideradas “primitivas”, passando pelo Oriente e Ocidente – para a realização de objetos decorativos, utilitários e outros de fins rituais. Os estudiosos localizam as primeiras cerâmicas no século 5.000 a.C., na região de Anatólia (Ásia Menor), que passam a integrar, a partir daí, as mais diversas culturas, distantes no tempo e no espaço. Em cada uma delas, por sua vez, alcança diferentes segmentos sociais: das camadas mais pobres e inferiores na hierarquia social, aos estratos superiores.

Na Grécia, entre 1.000 e 330 a.C., oleiros e decoradores, sempre homens, realizam peças de cerâmica, pintadas em geral com cenas de batalhas e de conquistas. A cerâmica chinesa, entre 550 e 480 a.C., liga-se à tradição religiosa, aos ritos e cultos. O viajante Marco Polo (1254 – 1354), chama a atenção para a beleza da porcelana chinesa, que se difunde na Europa através de Veneza, nos séculos XIV e XV. Não apenas objetos, mas também técnicas chinesas chegam ao Ocidente, que começa a fazer uso delas já no século XVI. Os procedimentos de feitura da porcelana chinesa chegam logo ao Japão, que auxilia também a difundi-los.

Diante desse quadro, parece difícil acompanhar a história da cerâmica, todas as suas modalidades técnicas e tipos de utilização. Se nos concentramos no Ocidente, vemos que aí também a cerâmica se faz presente nos objetos de uso doméstico, na arquitetura (datam dos séculos XV e XVI as primeiras tentativas ocidentais de emprego da cerâmica – escultórica e azulejos – na decoração e valorização da arquitetura exterior) e nas artes em geral, sobretudo nas chamadas artes aplicadas.

No Brasil, além do farto uso do azulejo na arquitetura de diversas épocas, é possível localizar uma ampla e variada cerâmica produzida por diversas sociedades indígenas, além de uma cerâmica popular, que toma a forma de objetos para uso corrente (por exemplo, a cerâmica do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais) e esculturas (os bonecos e cenas criados pelos artesãos e artistas da região nordeste, dos quais o mais célebre é Mestre Vitalino (1909 – 1963).

No norte do país, em Belém, apropriações do estilo art nouveau se mesclam às representações da natureza e do homem amazônicos em uma cerâmica pintada com grafismos da arte marajoara, que se popularizam em peças decorativas de Theodoro Braga (1872 – 1953), por exemplo. Se uma série de artistas entre nós fez uso da cerâmica de forma esporádica, a cerâmica artística vem sendo realizada por um grupo que se define prioritariamente como ceramistas, entre os quais se encontram Kimi Nii (1947), Norma Grinberg (1951), Ofra Grinfeder (1945) e Lygia Reinach (1933).

Já nos últimos anos, acompanhamos um crescimento no interesse por atividades manuais nos grandes centros urbanos muito ligados a movimentos de sustentabilidade e consumo consciente. E é nesse contexto que se insere a nova geração de ceramistas que dão um ar contemporâneo ao material, criando peças que vão do utilitário, decorativo até o acessórios.

FONTE:

https://designweekend.com.br/artistas-designers-brasileiros-pecas-ceramica/

Por Sérgio Botêlho, na edição dos Destaques do Dia do Para Onde Ir

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