O Dia Internacional contra a Homofobia é celebrado em 17 de maio e alerta sobre a discriminação e violência sofridas pela população de gays, lésbica e transexuais
Por muitas décadas, a homossexualidade não era considerada uma orientação sexual, mas sim uma doença mental. Foi só em 1990, nesta data, que a OMS (Organização Mundial da Saúde) a retirou da Classificação Internacional de Doenças.
Esse foi um grande passo, fruto de reivindicações feitas por ativistas desde a década de 1960. Por essa razão, por exemplo, é que não utilizamos faz bastante tempo o sufixo “ismo”, ao nos referir a homossexualidade, justamente por ela, de fato, não ser uma doença, mas sim uma variável da sexualidade humana.
A homofobia – assim como as demais LGBTQIA+fobias – consiste em não reconhecer como válida e merecedora de respeito a existência de outras identidades de gênero, para além das de pessoas cisgêneras (aquelas que se identificam com seu sexo de nascimento), e também de outras orientações sexuais, para além da heterossexualidade, como lésbicas, homossexuais, bissexuais, assexuais e outras.
A homofobia se estruturou, historicamente, como um sistema de opressão de pessoas, de grupos sociais, de seus valores, culturas e comportamentos socioemocionais, promovendo ódio e recusa a eles.
A partir do entendimento de que haveria um certo modo considerado natural e mais correto de vivenciar as sexualidades humanas, grupos sociais majoritários opõem-se ao fato que relações e identidades de gênero e sexuais sejam plurais e também social e culturalmente construídas.
A homofobia é causada, então, pela ausência de conhecimento a respeito, o que pode ser tratada com informação, estudo e escuta do outro. A homofobia é contagiosa, pois acomete inclusive pessoas LGbTQIA+ que, por pressão social, tomam a heterossexualidade como norma e se autorecriminam para se sentirem aceitas. A esse processo chamamos de homofobia internalizada.
Por isso, as práticas homofóbicas afetam a sociedade, de um modo geral, uma vez que produzem preconceitos, discriminações sutis ou explícitas, obstruem oportunidades de estudo e trabalhos, fragmentam relações familiares, de amizades e afetivas, geram abandono, doenças mentais e mortes, seja por homicídios ou mesmo suicídios, e afetam a economia e a política de um país.
Por que a luta contra a homofobia, a transfobia e a bifobia ainda é necessária?
Ela ainda é necessária pois, no limite, a homofobia ainda causa muitas mortes.
São mortes cuja única motivação é a identidade de gênero e/ou orientação sexual das vítimas.
Ainda é muito naturalizado o entendimento de que pessoas que não correspondem a certas expectativas de gênero e/ou de orientação sexual possam (ou mesmo devam) ser discriminadas, preteridas, violentadas e mortas, só por serem quem são.
Tivemos já alguns avanços no enfrentamento às desigualdades de um modo geral. No campo da diversidade sexual e de gênero, não foi diferente. A própria remoção da homossexualidade do rol de doenças foi uma das mais importantes conquistas nesses últimos 30 anos.
Neste ano, completou dez anos no Brasil o direito ao casamento entre pessoas de mesmo gênero. E tivemos, em 2019, a criminalização da homofobia e da transfobia pela Justiça.
Houve aumento no número de adoção de crianças por pessoas LGBTQIA+, e tivemos a derrubada de uma restrição discriminatória que impedia a doação de sangue por esse público.
Mesmo em meio a algumas conquistas civis como essas, somos, porém, ainda o país que mais assassina pessoas LGBTQIA+, sobretudos pessoas Trans, cuja expectativa de vida não excede 35 anos, segundo organizações de apoio.
Crédito da foto: Geraldo Magela/Agência Senado
FONTES:
https://www.insper.edu.br/noticias/dia-internacional-contra-a-homofobia-transfobia-bifobia/
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