
Sérgio Botelho – Ainda sobre o tema da família Retumba, que abordamos nesta segunda-feira, 13, importa saber que o nome do tenente João da Silva Retumba entrou na política paraibana no fim do século XIX.
Oficial da Marinha nascido em João Pessoa em 1857, ele aderiu ao ciclo republicano. Ingressando na Escola Naval, em março de 1875 tornou-se aspirante a guarda-marinha, em novembro de 1879 foi efetivado guarda-marinha e em dezembro de 1881 foi promovido a segundo-tenente.
Em 1890, foi eleito deputado constituinte pela Paraíba e tomou posse quando a Assembleia Nacional se instalou no Rio de Janeiro. Assinou a Constituição de 1891 e cumpriu mandato até 1893.
É o que registram os verbetes históricos e o acervo da própria Câmara dos Deputados. A trajetória ajuda a ler a transição do Império para a República a partir da periferia do poder.
Oficiais como Retumba serviam de ponte entre os novos símbolos do regime e as demandas provinciais. Na Paraíba, isso significou levar ao centro da política nomes formados na administração e nas armas.
Quando se volta à cidade, a lembrança vira toponímia. O Centro de João Pessoa tem a Rua Tenente Retumba. Não é uma rua qualquer perdida no emaranhando urbana da capital paraibana. Na verdade, é uma rua histórica.
Para um historiador, o tenente João Retumba é uma chave de leitura. Ele permite acompanhar, numa biografia curta, a soldagem entre Forças Armadas, parlamentarismo republicano nascente e reconhecimento público expresso em placas de rua.
Permite também cotejar fontes: o verbete do CPDOC/FGV com a imagem de 1890 preservada pela Câmara; as menções de imprensa que recontam sua adesão à República; os atos da Constituinte que fixam datas, sessões e assinaturas. A vida termina em 1899, no Rio de Janeiro.
O nome, porém, segue em esquinas e endereços. E, quando o passante lê “Tenente Retumba”, lê também uma etapa da formação republicana que ligou a Paraíba à cena nacional
