
Ao elaborar o projeto de saneamento da cidade da Parahyba, atualmente João Pessoa, ele projetou e construiu, ao mesmo tempo que a rede de esgotos e a de abastecimento d’água, uma galeria subterrânea até o rio Sanhauá, controlando o volume de águas da Lagoa e permitindo sua urbanização. Ao tempo, ele também havia encontrado providências resolutivas na contenção da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, problema que atormentou a família real portuguesa, no Brasil, e atravessou o Império. (Saturnino também aplicou seus conhecimentos de engenharia, com sucesso até hoje, em São Paulo, Santos, Recife e outras grandes cidades brasileiras).
Em João Pessoa, a comunicação subterrânea, ainda em plena serventia, teve início justamente por baixo da atual rua Padre Meira. No finalzinho da década de 1930, a Padre Meira ganhou novo significado urbano, agora, com a inauguração da nova Igreja de Nossa Senhora das Mercês, na esquina com a Treze de Maio, após a ruidosa derrubada de antigo templo seiscentista, no limiar da Praça João Pessoa. A obra arruinada, para a edificação da Praça 1817, havia sido construída e era mantida pela Irmandade dos Pretos e Pardos, ostentando a mesma denominação de Maria.
A essas alturas, a rua já se chamava Padre Meira, em homenagem a antigo morador (quando a via não se aproximava muito, estruturalmente, da Lagoa dos Irerês). Estamos nos referindo ao padre Leonado Antunes de Meira Henriques (1820-1914), ou simplesmente Padre Meira, que havia sido vigário geral da Paraíba, ao tempo da gestão católica exercida pela Diocese de Olinda, sobre o nosso estado. Portanto, antes da criação, em 1892, da Diocese da Paraíba.
A Padre Meira já serviu de endereço, além de à Igreja das Mercês, à antiga loja Nações Unidas, na esquina com o Ponto de Cem Reis, e nas esquinas com o Parque Solon de Lucena, ao sul e ao norte, aos movimentados bares e restaurantes Pietro’s e Flor da Paraíba. Também já foi endereço de dois postos de gasolina: um, em frente à Igreja das Mercês, o outro, logo no início do Parque Solon de Lucena.
Foi cenário de movimentações políticas memoráveis, na direção da Lagoa, como as que receberam Luiz Carlos Prestes e João Goulart, de passeatas estudantis, contra a ditadura, na década de 1960, bem como de marchas eleitorais, das mais diversas agremiações políticas, que cruzaram a rua a partir de 1950, em meio às campanhas de José Américo e Argemiro de Figueiredo, ganha pelo primeiro. Por muito tempo, ainda, foi endereço do recém-criado Partido dos Trabalhadores, na Paraíba, que funcionou no prédio onde, no térreo, existia um famoso empreendimento de lanches, bem moderno à época, chamado Casa das Frutas.
A Padre Meira faz a parte final da relação urbana direta entre a cidade baixa e o parque, com volumoso trânsito, a começar lá embaixo, na rua Padre Azevedo. Tem passado e tem presente a rua Padre Meira!
(Na imagem, a Padre Meira na década de 1960, e atualmente)
