Sérgio Botelho – As noites em São Paulo têm aparecido nos noticiários televisivos e nas fotos de jornais e redes sociais e sites de notícias mergulhadas em uma escuridão que parece engolir não apenas a luz, mas também a esperança do povo paulistano. Sem energia elétrica há dias, a gente percebe que a cidade perdeu o ritmo frenético que a define.
As ruas estão mais perigosas, já que os semáforos apagados transformam o trânsito em um caos ainda maior, e eu me pergunto como algo tão essencial, como é o caso da energia elétrica, pode ser tirado assim, nos dias de hoje.
Toda aquela barafunda em plena contemporaneidade faz com que a gente perceba o quanto dependemos dessa força invisível que alimenta não apenas nossos aparelhos, mas também nossa sensação de segurança e normalidade. Será que confiamos demais em sistemas que não controlamos?
Penso na Enel, a empresa responsável por fornecer essa energia vital a São Paulo. A ausência de respostas e de uma previsão para o restabelecimento do serviço, segundo veicula a mídia, aumenta a nossa inquietação, apesar da distância.
Como podemos prosperar se não temos garantias sobre algo tão básico? Questiono se a privatização de serviços essenciais realmente serve ao interesse público ou se nos deixa à mercê de decisões sobre as quais não temos qualquer controle?
A economia da cidade está paralisada, e sinto o peso dessa estagnação não apenas nos noticiários, mas nas faces preocupadas das pessoas que a gente vê em filmes e fotografias. Pequenos comércios fechados, hospitais funcionando no limite, famílias inteiras tentando se adaptar a essa nova realidade. É como se a energia que nos move fosse sugada, deixando um vazio difícil de preencher.
É natural, portanto, que surja uma mistura de frustração e impotência, destacadamente por não ser a primeira vez que isso acontece. Certamente, essa escuridão é temporária, pois em breve as luzes se acenderão novamente, iluminando não só as ruas, mas também nossas perspectivas. Mas quando? Qual vai ser o tamanho do prejuízo geral? Que atrativos serão oferecidos pela cidade de São Paulo, a partir de agora, a novos investidores?
Então, não é possível ignorar a necessidade de repensar como lidamos com recursos tão fundamentais. Talvez seja hora de olharmos para alternativas, de buscarmos soluções que coloquem o interesse coletivo acima do lucro.
Enquanto a gente espera que a normalidade seja restabelecida, não custa refletir sobre nosso papel como sociedade. Será que estamos exigindo o suficiente daqueles que detêm o controle sobre o que nos é essencial?

