
Corria o ano de 1801, em uma João Pessoa que ainda matava a sede com as águas das mais límpidas fontes de água potável da cidade. Em uma tarde, José de Jesus Cristo Maria Lopes, frade franciscano, fixou seus desejos na moça Tereza, enquanto ela apanhava água em uma das bicas com mais proximidade do Convento Franciscano. O clérigo, então, passou a assediá-la, até que conseguiu o seu amor.
As visitas do frade à casa de Tereza, a partir dali, tornaram-se frequentes, e ele acreditava ter conquistado o coração da moça. Porém, em um dia qualquer, ao entrar na casa da amada, a encontrou nos braços de outro. Sem pestanejar, investiu contra o homem, que era ágil e forte, um capoeirista, e, em pouco tempo, deu uma pisa no padre.
Dias depois, o frade fingindo ter perdoado Tereza, a convidou para uma reconciliação na mesma fonte onde a havia visto pela primeira vez. O encontro seria à meia-noite, quando o local estaria deserto, longe de olhos curiosos. Tereza aceitou o convite.
Na noite marcada, foi até o local, levando consigo sua filha, uma menina de apenas sete anos. Ao chegarem, José estava à espera. Logo, dois homens, um índio e um escravo, que o frade havia trazido como ajudantes, agarraram Tereza. Incontinente, o franciscano começou a golpeá-la, levando-a à morte com brutalidade.
Depois, de forma perversa, introduziu um bambu em seu corpo, ignorando completamente a presença da filha, que assistiu à cena em desespero. Quando o corpo de Tereza foi encontrado, o horror tomou conta da então cidade de Parahyba, atual João Pessoa. A criança, ainda em choque, contou às autoridades tudo o que viu.
Não demorou muito para que o frade fosse preso e levado a julgamento. Sua sentença foi prisão perpétua, a ser cumprida em uma cela de convento na Bahia. O escravo morreu na cadeia e o índio foi devolvido a seu aldeamento.
