
Nascido em Aimorés, Minas Gerais, em 1944, Salgado iniciou sua carreira como economista, mas encontrou na fotografia uma forma poderosa de denunciar injustiças e revelar a dignidade humana em meio a contextos de sofrimento e resistência. Seus projetos icônicos, como Trabalhadores, Êxodos e Gênesis, documentaram desde o esforço físico de operários em condições extremas até a beleza de ecossistemas intocados e culturas tradicionais ameaçadas. Seu estilo inconfundível em preto e branco conferia às imagens uma força estética e emocional que transcendia o mero registro documental.
Além de seu legado fotográfico, Salgado foi um ativista ambiental incansável. Com Lélia, fundou o Instituto Terra, responsável pela recuperação de áreas degradadas no Vale do Rio Doce, promovendo reflorestamento, educação ambiental e desenvolvimento sustentável. Essa iniciativa tornou-se um símbolo de esperança e ação concreta diante da crise climática.
Sua vida e obra foram retratadas no documentário O Sal da Terra (2014), dirigido por seu filho Juliano Ribeiro Salgado e pelo cineasta Wim Wenders, indicado ao Oscar de Melhor Documentário. O filme oferece um olhar íntimo sobre sua trajetória e o impacto de seu trabalho no mundo.
A partida de Sebastião Salgado deixa um vazio profundo, mas seu legado permanece como inspiração para fotógrafos, ambientalistas e todos que buscam justiça e beleza em um mundo marcado por desigualdades e desafios ambientais. Sua obra continuará a falar por aqueles que muitas vezes não têm voz, lembrando-nos da importância da empatia, da ação e do compromisso com um futuro mais justo e sustentável.
A foto é do Instituto Terra
