
Na mesma edição, há uma nota dando conta dos trabalhos de conclusão do Mercado de Tambiá, que, segundo se sabe, ocupou o espaço onde posteriormente foi erguido o Cine Municipal. Na origem urbana, uma praça que homenageava o Barão do Abiahy, mesmo nome da rua lateral, hoje.
O curioso é que trabalhos acadêmicos e historiográficos indicam 1893 como o ano da conclusão do referido mercado. A coincidência entre 1893 e 1896 é que ambas as datas se inserem no primeiro governo de Álvaro Machado (1892–1896). A notícia publicada em A União em 14 de fevereiro de 1896 apresenta caráter factual e, por isso, possui grande força como evidência.
A notícia de 1896, inclusive, é bem completa quando se trata de explicar o início do funcionamento do mercado. Isso porque, a mesma edição explica que estaria sendo aberta concorrência para locação dos compartimentos destinados à comercialização de mercadorias próprias de um equipamento de feira.
O Mercado de Tambiá foi principal ponto de comércio coletivo de João Pessoa praticamente em toda a primeira metade do Século XX, sendo substituído pelo novo Mercado Central, entre as avenidas Pedro II e Almeida Barreto. A demolição do Tambiá teria ocorrido no início da década de 1950.
Outra curiosidade que cerca a história do Mercado de Tambiá é a destinação do espaço que lhe serviu de endereço. Como já disse, era uma praça, e, como tal, um bem público. Como passou de público para privado é um desafio para o entendimento contemporâneo.
*Sérgio Botelho é jornalista e escritor.
(A foto do antigo Mercado de Tambiá é de 1938)
