
Sérgio Botelho – Inauguro nesta data de 21 de abril de 2026 um novo espaço no meu site Para Onde Ir, dedicado à cultura. Adotei para ele o nome de Prosa Cultural, obviamente dedicado ao mundo da cultura. Porém, a buscar sempre um tom acessível, uma espécie de bate-papo, sem perder o caráter informativo e crítico.
Para inaugurá-lo, aproveito para registrar a eleição, na última sexta-feira, 17, do novo membro da Academia Paraibana de Letras, Mário Hélio Gomes de Lima. Nascido em Sapé, ele chega à APL já membro da Academia Pernambucana de Letras e do Pen Clube do Brasil.
Livros, já pulicou, entre outros, Livrório/opus zero, Cícero Dias – uma vida pela pintura, A História Íntima de Gilberto Freyre e Brasil Profundo, Espanha Negra. O último é Mosaico Paraibano (2026), pela Editora Arribaçã, de onde extai essas breves informações biográficas.
Apesar de candidato único, no pleito da APL, para a cadeira 15, que pertenceu ao saudoso Chico Pereira, atraiu um quórum histórico, não tendo sido registrado nenhum voto contrário, apenas um em branco. Anunciado o resultado, veio o notável discurso de agradecimento, não escrito.
Iniciou reverenciando a Epopeia de Gilgamesh (a mais antiga obra literária conhecida) e os escritos até Aristóteles que “começam a falar porque queremos ser felizes e porque perseguimos a imortalidade”, tema referencial a todas as academias de letras do mundo e que termina nomeando os seus membros como imortais.
Para falar sobre sua emoção, recorreu ao poema Presságio, de Fernando Pessoa, em suas duas primeiras estrofes: “O amor, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar p’ra ela, Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente. Não sabe o que há de dizer. Fala: parece que mente… Cala: parece esquecer…”
Celebrou José Lins do Rego, Ariano Suassuna, Gilberto Freire, Graciliano Ramos, mas também Aristóteles e Platão, que deram origem ao conceito de Academia. Também se serviu da ocasião para enaltecer o amor, sentimento definido por ele como o que moveu os membros da Academia Paraibana de Letras, para aceitá-lo.
No discurso, o autor defendeu que a vida acadêmica precisa se sustentar no convívio, na igualdade, na amizade verdadeira e na capacidade de somar. “Penso que uma pessoa que está numa Academia está pela capacidade de conviver, de igualdade”, enfatizou.
O discurso de Mário Hélio serve muito à casa, ao contribuir para o seu engrandecimento, fortalecer os vínculos entre os membros e valorizar os rituais que dão sentido à vida coletiva. Pelo que disse, ele se apresenta não para ocupar um lugar de prestígio, mas para somar, conviver e ajudar a instituição a crescer.
Depois, houve um almoço concorridíssimo num dos restaurantes da cidade. Aí, foi só alegria e confraternização.
(SB)
