
Na verdade, não foram poucos, na Paraíba, os atentados contra jornais, entre os tempos de província e estado, vale dizer, de Império e República, grande parte cercados de muita violência.
No caso de hoje, falo do fechamento do jornal A Imprensa, ocorrido em 1942, durante a interventoria de Rui Carneiro, em pleno Estado Novo. Foi certamente, um dos episódios mais extravagantes da relação entre Igreja e Estado na Paraíba.
Fundado em 1897, quando Dom Adauto conduzia a Igreja Católica, no estado, o periódico era o principal órgão de divulgação catolicismo no estado, ligado diretamente à Arquidiocese, e tinha influência na opinião pública.
A criação do jornal fez parte de uma gama de outras iniciativas de Dom Adauto (como, por exemplo, as do Seminário Diocesano e dos Colégios Pio X e Nossa Senhora das Neves), no sentido de fortalecer, localmente, a romanização da Igreja sob o seu comando.
Na época do fechamento, o arcebispo já era Dom Moisés Coelho, tendo sido grande o desconforto social e intelectual, na época. Mas o poder autoritário se impôs. O jornal tinha sede na Praça Dom Adauto, em prédio ainda hoje funcional.
Apesar de haver uma colaboração estreita, naquele período obscuro para a democracia, entre a Igreja Católica e o Estado Novo, na Paraíba essa concertação sofreu esse duro golpe, com o ato de fechamento do A Imprensa, naquele momento difícil da história brasileira.
O jornal só retornaria às bancas em janeiro de 1946, após o fim da ditadura getulista e a redemocratização do país, quando a liberdade de imprensa voltou a ser garantida.
Aos trancos e barrancos, enfrentando dificuldades financeiras, principalmente, A Imprensa sobreviveu, com hiatos de circulação, até década de 1960, quando encerrou, até hoje, sua circulação.
(Na foto, o prédio que serviu ao jornal A Imprensa, na Praça Dom Adauto)
