
Apesar dos meus oito aos, à época, guardo cenas daquele momento. Lembro da festa em casa, de cordões de torcedores que desciam a rua Arthur Aquiles, onde morava com pais e irmãos, lembro das bombas e foguetes, da alegria generalizada.
Estou falando especificamente da partida final entre Brasil e Suécia, o país anfitrião, que vencemos pelo elástico placar de 5 X 2, com direito a show da seleção brasileira, perpetuando como heróis a seleção inteira, um a um. Os super-heróis eram Pelé e Garrincha.
A facilitar a memória guardada, o fato de o jogo, no horário brasileiro, ter sido realizado num domingo, 29 de junho, a partir das 9 horas da manhã, com todo mundo ainda animado pelas comemorações da véspera de São Pedro, na noite anterior.
O Ponto de Cem Reis, vizinho da rua onde morava, era, então, o centro da cidade e de tudo. Em seus arredores ficavam bares e cafés e restaurantes e cinemas e clubes, além de ser local de passagem e de paradas dos bondes e de carros de praça (os antigos taxis).
Na Copa de 1958 a retransmissão direta ficou restrita ao rádio, do Oiapoque ao Chuí. Em João Pessoa, poucas famílias possuíam aparelho de rádio, um equipamento ainda caro para a maioria das pessoas.
Assim, a rádio Tabajara, que retransmitia o jogo por meio da captação de sinal de cadeias de rádio instalou auto falantes no Ponto de Cem Reis acompanhados, pelos torcedores pessoenses.
Apesar da rudimentar transmissão, a festa foi formidável, inesquecível às crianças da época.
(Foto: Ponto de Cem Reis, início da década de 1950, ainda sem a loja As Nações Unidas)
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. A Copa de 1958 e o Ponto de Cem Reis
