
Catharina Moura, que chegou a assinar artigos em A União, com o pseudônimo de Paraguaçu (certamente para referenciar a mítica esposa do famoso náufrago português, Diogo Álvares Correia, o Caramuru, batizada no cristianismo como Catarina Paraguaçu, e tida como uma das “mães” do povo brasileiro), ousou concluir o curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife, em meio a uma estudantada masculina, em 1912, com direito a viagem pela Europa, como prêmio pelo seu brilhante e laureado desempenho acadêmico.
Um ano depois, em 1913, durante o governo Castro Pinto (1912-1915), participou ativamente, junto com outras companheiras, em favor da criação, em João Pessoa, da então chamada Universidade Popular. Em meio à missão, defendeu corajosa tese, embora precavida, sobre os Direitos da Mulher, que acabou publicada, na íntegra, por A União.
Segundo o verbete a ela dedicado pelo “Pequeno Dicionário dos Escritores/Jornalistas da Paraíba do Século XIX: de Antônio da Fonseca a Assis Chateaubriand”, ela ensinou Português, Desenho, Francês, e História da Civilização, na Escola Normal (onde fora diplomada professora normalista em 1902).
Atuações como a de Catharina Moura acabaram inspirando a criação da Associação Paraibana para o Progresso Feminino, em 1933, vinculada a um movimento nacional liderado por Bertha Lutz, que lutou principalmente pelo direito da mulher em se educar, uma dificuldade estúpida vivida pelas mulheres naqueles tempos.
