
Depois da abertura entre as décadas de 1910 e 1920, a extensa e larga via urbana permaneceu por décadas como eixo pouco ocupado, mais rural que urbano, com circulação limitada e trechos ainda em terra batida.
Foi somente na década de 1950, com a pavimentação e a melhoria dos sistemas de drenagem e saneamento, que a Epitácio passou a servir mais plenamente ao papel de grande corredor entre o centro expandido e o litoral.
A pavimentação naturalmente facilitou o tráfego de automóveis, ônibus e caminhões de serviço, encurtando tempo e esforço no deslocamento entre a Lagoa e Tambaú.
As camadas sociais de maior renda começaram a se deslocar progressivamente do entorno do Centro Histórico e dos antigos bairros centrais em direção a novos loteamentos ao longo da avenida e na orla.
A Epitácio começou também a se tornar vitrine da arquitetura moderna residencial. Projetos de casas e pequenos edifícios com assinaturas de arquitetos famosos reforçaram a imagem de uma nova João Pessoa mais moderna.
Nessa pisada, a cidade finalmente rompeu os limites que a prendiam fisicamente ao berço, representado pelo Rio Sanhauá, assumindo o Litoral e respirando novos ares vindos do Atlântico, após quase 400 anos de sua fundação.
Hoje, Tambaú, Cabo Branco, Manaíra e Bessa integram uma estrutura urbana que combina história e contemporaneidade, desde o Centro Histórico, onde predomina um desenho mais horizontal, aos bairros que seguem crescendo com base numa arquitetura de tipo vertical.
Penso que a combinação dessas duas paisagens urbanas faz de João Pessoa uma cidade com raros atrativos físicos, ao mesmo tempo em que preserva (e que seja cada vez com maior afinco) suas igrejas, conventos, prédios e logradouros de diferentes épocas, mantendo vivo o senso de pertencimento entre seus habitantes e favorecendo o turismo.
